FRASES DE EFEITO
“Eu lembro que a segunda edição do Equinócio foi uma das melhores, acho que chegou a mais de três mil pessoas, eu olhava de cima do palco e não acreditava no tanto de gente que tinha”.
COMO TUDO COMEÇOU...
A história dos grandes festivais de rock em Rio Claro
No início dos anos 90, o cenário rock do país estava borbulhando, ainda vibrando com as reverberações do Rock in Rio I e II, que aconteceram em 85 e 91, respectivamente. Depois dele, o Brasil não seria mais o mesmo, a música ganharia ali uma legião de fãs apaixonados pelo espetáculo do rock: as luzes, os fogos, o som alto, solos de guitarra, performances entusiasmadas e os gritos de uma platéia ensandecida. Milhares de camisas pretas até onde a vista alcança, com as mãos ao alto fazendo o famoso “chifrinho” com os dedos, toda emoção do rock viva e a cores.
Em 91, o Maracanã foi o palco para nove dias de shows e mais de 700 mil pessoas para o Rock in Rio II. Em 95, seria o “Campo do Rio Claro” o palco para dois dias de shows e 20 bandas. Poucos lembram, alguns nem ouviram falar, mas o precursor dos grandes festivais de rock em Rio Claro vê crescerem as sementes que plantou no passado.
A primeira e única edição do Rock Livre foi o primeiro passo para que Rio Claro entrasse definitivamente para o calendário de grandes eventos de rock no país. Além de ter sido, no município, o primeiro e único realizado em um estádio de futebol, o Rock Livre rompeu as barreiras e abriu a porta para o rock definitivamente virar um espetáculo no interior de São Paulo.
Júlio Pizzoti se lembra bem de como foram os dias que permearam aqueles 10 e 11 de Junho de 1995. Afinal, foi por iniciativa de seu pai, Jenyberto Pizzoti, que o festival criou forma e se realizou. Bandas rio-clarenses como Dezakato e Hímen-Blues tiveram uma de suas primeiras apresentações nesta ocasião, “das bandas que tocaram acho que uma ou duas só sobraram, a maioria acabou”, conta Júlio.
Apesar da estrutura perfeita e da grande divulgação, Júlio conta que nem tudo eram flores. “A iniciativa valeu por ser uma coisa inédita na cidade, mas o prejuízo foi grande; tinha mais seguranças do que público”, lembra aos risos. Devido às dificuldades, o pai de Júlio decidiu não arriscar tão alto novamente, e por um ano manteve um projeto de rock alternativo na antiga Gruta, localizada na Avenida 7 entre ruas 1 e 2.
Enquanto o pai pendurava as “chuteiras”, o filho assumia as baquetas. Júlio - ou mais conhecido “Borbo” - já estava no meio rock desde os nove anos de idade, aos 13 começou a tocar bateria, aos 15 já tinha lançado sua primeira ‘demo’ com a banda Master of Pain e aos 18 já quebrava as baquetas na banda Hal9000. Seguindo os passos do pai decidiu não deixar morrer a alma dos grandes eventos. Em 2001 aconteceria a primeira edição do Encontro de Rock do Equinócio.
EQUINÓCIO
“Eu e o Elias (guitarrista da banda), que crescemos juntos ouvindo rock, tivemos a idéia do festival e fomos procurar a secretaria de cultura”. Elias Prezotto lembra que até chegar à secretaria foram três anos recolhendo assinaturas na rua para formalizar um abaixo assinado, pedindo por um festival de rock: “daí surgiu o primeiro Equinócio”. Apesar da chuva, o Espaço Livre da Avenida Visconde reuniu milhares para prestigiar o show da banda Korzus e de mais sete bandas.
Apenas o início de uma história, o Equinócio é o festival que é realizado há mais tempo no município e que apesar das inúmeras dificuldades que passou resiste e continua revelando diversas bandas para o mundo da música mundial. Torture Squad, Claustrofobia, Seventh Seal e Ansata foram apenas algumas das bandas que passaram pelos palcos do Equinócio e ganharam o mundo.
“Quem olha de fora pensa que é fácil fazer evento, mas não teve um que não deu dor de cabeça, ou prejuízo. O pior de tudo é a falta de apoio, ainda que o evento era beneficente, a entrada era um litro de leite”, desabafa. A falta de incentivo ao Equinócio fez com que o festival acontecesse em diversos lugares da cidade, chegando a ser realizado independente à prefeitura. Espaço Livre, Estação Ferroviária, Lago Azul, Sobradão, D’Vinci Bar, foram apenas alguns dos lugares em que o evento chegou a ser realizado. “Teve um ano que o festival nem chegou a acontecer, estávamos cansados. Este ano parece que vai dar certo, as secretarias de turismo e cultura já demonstraram interesse em apoiar”.
A oitava edição do Equinócio já tem data e local certos, 17 de Outubro, na Estação. As atrações ainda não estão confirmadas, mas “Borbo” já adianta que coisa grande vem por aí: “alguns nomes já estão sendo pensados como Ratos de Porão, Krisiun ou Sepultura. E estamos pensando em abrir inscrições para as bandas da região que quiserem tocar”.
SEMENTES
Do Rock Livre e do Equinócio veio o incentivo para o surgimento de tantos outros eventos de grande porte que nasceram dessas sementes: Rock Feminino, Grito Rock, Rock Esporte, Metal Carroça, Rock Solidário, Somlidariedade, Rock Legalizado, Coquetel Molotov e tantos outros. Alguns resistiram às dificuldades e outros sucumbiram com o tempo, mas apesar dos espinhos, o rock rio-clarense continua mostrando a sua força e ganhando cada vez mais espaço no mundo da música.
**BOX**
CURIOSIDADES
Júlio Pizzotti e Elias Prezotto eram vizinhos, se conheceram pelo rock e juntos montaram uma banda, antes mesmo de aprenderem a tocar. A primeira bateria de Júlio foi montada com sucata, os pratos eram placas de “Pare”, o bumbo uma caixa de som oca, a caixa uma gaveta ao contrário, e o chimbau uma placa dobrada ao meio.
A banda formada pelos dois, Hal9000, chegou a ser considerada pelas revistas Rock Brigade e Roadie Crew, uma das mais promissoras do metal nacional. Com mais de dez anos de estrada, tem um CD lançando e retornam aos palcos este ano com nova formação.
Z FOTOS
Festivais1
Júlio Pizzotti (Borbo) e Elias Prezotto
Festivais2
A antiga Estação é considerada o ponto dos grandes festivais de rock
Festivais3
Primeira edição do Encontro de Rock do Equinócio lotou o Espaço Livre
Festivais4
quinta-feira, 25 de junho de 2009
História dos festivais - JR 27-06-09
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