Longe do VÍCIO
Semana contra o uso de drogas retoma a discussão sobre uso, tráfico e criminalidade.
Instituída em 1999, a Semana Nacional de Prevenção ao uso Indevido de Drogas é uma parceria da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com órgãos da Administração Pública Federal, conselhos estaduais e municipais de políticas públicas sobre drogas e entidades da sociedade civil. Acontece anualmente de 19 a 26 de junho, mobilizando os integrantes do SISNAD (Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas) nos estados e municípios.
A Semana inicia-se na data de criação da Senad, 19 de junho, e encerra-se no dia 26 de junho, considerado o Dia Internacional da Luta contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas.
Segundo relatório de 2005 do UNODC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime), cinco de cada cem habitantes do planeta entre 15 e 64 anos fazem uso anual de substâncias ilícitas. O número de usuários está mais ou menos estabilizado em torno de 200 milhões. Destes, 110 milhões (2,7% da população) utilizam drogas ilegais com uma freqüência mensal, e 25 milhões (0,6%) podem ser considerados narcodependentes.
Dados do Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas) mostram que entre os anos de 2001 e 2005 houve um aumento de 8% no uso de entorpecentes na região Sudeste. Sendo que destes, o uso da maconha e de benzodiazepínicos (Valium) tiveram um aumento considerável no consumo.
Esses levantamentos desatualizados devem ser substituídos pelo Relatório Mundial sobre Drogas 2009, que será lançado simultaneamente em diversas cidades do mundo no próximo dia 24 de junho, nas vésperas do Dia Internacional contra o Tráfico e o Abuso de Drogas, celebrado em 26 de junho. Elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o documento reúne dados estatísticos, enviados pelos governos dos Países-Membros, e análises de tendência sobre a situação do mercado das drogas ilegais em todo o mundo, inclusive produção, tráfico e consumo, servindo como base de referência aos governos para a implementação de políticas públicas para o setor.
Fonte: Senad
Narcóticos Anônimos
Na luta contra o vício há grupos, projetos e atividades desenvolvidos para dar respaldo aos adictos. Dentre eles, o NA (Narcóticos Anônimos) é um dos mais antigos e reconhecidos grupos de apoio aos usuários de narcóticos. O NA foi iniciado em meados de 1953, e é um dos maiores e mais antigos deste tipo, com aproximadamente quarenta mil reuniões semanais em 130 países.
No grupo, os membros partilham suas conquistas e desafios para superar a adicção ativa, viver livre das drogas e de forma produtiva, através de um ambiente no qual os adictos se ajudam mutuamente a parar de usar drogas e encontrar uma nova maneira de viver, amparados nos princípios contidos nos Doze Passos e nas Doze Tradições de NA.
As reuniões são conduzidas, de forma uniforme em todos grupos, por membros do próprio grupo, enquanto os outros membros participam partilhando, na sua vez, a sua experiência de recuperação da adicção a drogas. Em Rio Claro, três grupos atuam em diversos pontos da cidade para atender a demanda; o mais antigo deles, o Grupo Viver Limpo, atua há mais de dez anos no município.
Os membros do subcomitê de informação do grupo rio-clarense contam que não há uma estatística de quantas pessoas freqüentam as reuniões, pois não é registrada a presença e tudo é feito no anonimato, preservando a identidade dos participantes. Dos voluntários que atuam no grupo todos são ex-dependentes que se engajaram no projeto e levam o trabalho adiante, prestar serviço a outros dependentes faz parte do tratamento.
Segundo os membros a adicção é uma doença que não tem cura e atinge espiritualmente, fisicamente, mentalmente e moralmente; é progressiva e fatal; não escolhe credo, raça ou nível social. “Muitos acreditam que podem sair do vício sozinhos e não percebem que o apoio que o grupo oferece é mais forte; o principal é querer buscar ajuda e querer ficar limpo”, comenta um dos membros que preserva o princípio do grupo de manter o anonimato completo da irmandade.
Para mais informações sobre o trabalho dos grupos é possível acessar o site WWW.na.org.br ou utilizar a linha de ajuda, disponível 24 horas no número 9145-6544.
GRUPOS NA REGIÃO
Rio Claro
*Grupo Viver Limpo
Rua 8, 1547 - sala 8.
Reuniões terças, quintas, sextas e domingos às 20 horas.
* Grupo Jardim Guanabara
Avenida 6, 330 – AMORG – Jardim Guanabara II
Reuniões sábados e segundas às 20 horas
* Grupo São Miguel
Rua 10-A, 2034 –Paróquia São José – São Miguel
Reuniões quarta-feira às 19h30
Cordeirópolis
*Grupo Resgate
Rua 13 de Maio ao lado do Cordeiro Clube – Centro
Reuniões sábado às 20 horas
Apoio Familiar
O Nar-Anon compreende um grupo de amigos e parentes de adictos em recuperação que compreenderam que também precisavam de ajuda para resolver seus problemas pessoais. Decidiram dedicar-se a um programa de Grupo Familiar.
O Grupo Nar-Anon está presente em Rio Claro há cerca de 20 anos, hoje, as reuniões acontecem provisoriamente na Avenida Rio Claro (Centro de Voluntariado). Ao todo, são mais de 280 grupos em todo Brasil. Segundo Maria da Glória Forgasso, uma das voluntárias, seria necessário um número maior de grupos para atender a demanda, possibilitando mais opções de horários e dias.
O Nar-Anon desenvolve um trabalho importante com a família do dependente, compreendendo que neste processo o usuário é o último a ser afetado, enquanto parentes e amigos são os primeiros a sofrer com a dependência. “A família fica tão doente quanto o dependente, este trabalho é muito importante porque as pessoas não sabem lidar com esta situação”, destaca Glória.
73 são internados por mês
De acordo com dados da Casa de Saúde Bezerra de Menezes, de Rio Claro, foram 73 internações no mês maio, decorrentes do uso de drogas lícitas e ilícitas. Destas, 45 são por álcool e 28 por outras drogas, sendo que o crack lidera grande parte dos casos.
Segundo a psicóloga da instituição, Gilberta Vassoler, a internação não é a única forma de desintoxicação. O usuário de substâncias psicoativas pode realizar tratamento ambulatorial, nos serviços de saúde pública ou com profissionais da área de saúde mental. Grupos como o A.A. (Alcoólicos Anônimos) e o N.A. (Narcóticos Anônimos) também auxiliam os usuários a se manterem distante das drogas. “Tentados todos esses recursos sem êxito, a internação entra como uma alternativa para a desintoxicação do organismo, orientação sobre a problemática e a conscientização sobre a importância do tratamento”, destaca a psicóloga.
Dentre os motivos que levam a pessoa ao consumo das drogas, Gilberta esclarece, “o abuso de substâncias psicoativas, o vício, geralmente entra no lugar de alguma coisa que não está bem, aparece como sintoma, cuja causa precisa ser investigada e tratada”.
A prevenção do abuso das drogas passa pelo “cuidado de si”, por ações preventivas na área da saúde mental, tais como: procurar viver em um ambiente saudável, buscar o equilíbrio, evitar ações extremadas, reservar espaços para o lazer e praticar atividades físicas. A orientação sobre os riscos relacionados às drogas também possuem um aspecto preventivo na área.
Segundo a psicóloga há uma linha estreita entre o consumo de drogas e a criminalidade. “Observamos que os usuários principalmente de drogas ilícitas acabam tendo envolvimento com a criminalidade, quando não se comprometem diretamente com a lei, acabam vendendo as próprias coisas ou pegando coisas de casa, ou de familiares, para venderem ou trocarem por drogas”, acrescenta.
CORDEIRÓPOLIS
Em Cordeirópolis o CADA – Casa de Apoio aos Dependentes Químicos e Alcoólicos – é o responsável por atender às internações do município. A instituição abriga dependentes para reabilitação, sendo que o trabalho é feito sem qualquer tipo de medicamentos, apostando em terapias alternativas como a laborterapia e terapias de grupo.
Atualmente são oito internos, sendo que a capacidade da casa é para 18. Segundo uma das responsáveis pela casa, Rosenéia Simões Franciscatti, o número está muito além da realidade do município. “A maior parte acaba por internar fora da cidade, também recebemos internações de outros municípios”, comenta.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Drogas - JR 20-06-09
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