quarta-feira, 10 de junho de 2009

Calor - JR 14-03-09

QUE CALOR!
Não é preciso estudo aprofundado para se perceber que as temperaturas no globo estão aumentando. Na última semana, foi impossível não desabafar um “que calor” até mesmo de madrugada.
O professor livre docente da Unesp, Antonio Carlos Tavares, especialista em climatologia, assegura que as temperaturas estão realmente elevadas. De acordo com ele, a ação do homem está trazendo grandes mudanças climáticas para a Terra. Alguns apontamentos são para o aumento de 3 a 5 graus no período de 50 anos.
Ele esclarece que, naturalmente, sem a interferência do homem a Terra se aqueceria, mas com ação na natureza este processo deve se acelerar. Estudos geológicos mostram que a Terra já passou por sucessivas eras climáticas. O Estado de São Paulo, por exemplo, já foi deserto, já teve gelo, mas foram mudanças lentas e graduais. “Todos os indícios, como as medições, o derretimento de gelo nos picos e nos pólos, mostram que a Terra está passando por um período de aquecimento rápido. Antes os processos levavam milhões de anos para se realizar, hoje acredito que muita gente ainda vá presenciar essa mudança, que não seria uniforme. A previsão é de maior aquecimento nas altas latitudes”, acrescenta.
Ainda uma discussão entre os cientistas, as causas do aquecimento global não são unanimidade entre eles. Enquanto alguns acreditam que este seja um processo natural, fora das mãos do homem e que logo o globo tornará a se resfriar; cerca de 80% dos cientistas concordam que a agressão à natureza é o maior agravante.
NATUREZATavares explica como está ocorrendo este aquecimento, fruto da intensificação do efeito estufa. A Terra possui camadas gasosas e a atmosfera tem gases impermeabilizantes para balanço da radiação. Assim como o planeta ganha energia do Sol, ele perde energia infravermelha. Na atmosfera dois gases são bons absorventes de energia infravermelha: o dióxido de carbono, metano e a água (em forma de vapor). Portanto, quanto mais carbono e metano na atmosfera, menos energia escapa da Terra e mais quente fica o planeta.
A presença do ozônio na estratosfera (entre 20 e 40 km de altitude) funciona como uma barreira para a radiação ultravioleta, emitida pelo sol, tornando-se assim essencial para a manutenção da vida na superfície terrestre. Desde os anos 70 que se tem medido a redução da concentração de ozônio em locais específicos da atmosfera e de uma forma geral em todo o planeta.
É reconhecido que as emissões à escala mundial de certas substâncias, entre as quais se contam os hidrocarbonetos clorofluorados (CFC's) e os Halons - emitidos por geladeiras, ar condicionado e sprays – são os grandes responsáveis pelos buracos na camada de ozônio. “Apesar de terem sido proibidos, os CFC’s têm permanência de 100 anos na atmosfera. Cada um tem um tempo de permanência. O que já foi lançado está lá ainda, é possível deixar de acumular, mas não irá retroceder”, lembra o professor.
RESULTADO E O HOMEMCom o aquecimento global a previsão é de muitas mudanças no funcionamento terreno, dentre os quais: a adaptação e migração da flora e da fauna, chegando à extinção de algumas espécies; o derretimento de gelo nas calotas polares, levando ao aumento do nível do mar e consequente desaparecimento de algumas cidades litorâneas; e a redistribuição das chuvas, levando a períodos estendidos de precipitações ou de seca prolongada, fazendo com que a agricultura e a economia sofram. “Mas há a possibilidade, também, de se produzir o que não produzia. Estados Unidos e Europa poderão produzir laranja, por exemplo”.
No homem, o aumento da temperatura, que já está sendo sentido na pele, pode afetar a biologia das pessoas. Em episódios com temperaturas muito elevadas, a exemplo da semana passada, nem todos os organismos respondem da mesma forma. Há uma alteração no sistema circulatório, o que pode significar muito para quem tem problema cardíaco. “Em épocas de temperaturas muito altas há um pico de mortalidade, principalmente em pessoas idosas ou com problemas cardíacos”, diz o professor.
O que também agride o organismo é a exposição ao ar condicionado e ventiladores, ocasionando um choque térmico que debilita o corpo.
AMAZÔNIAO desmatamento da Amazônia e queima de áreas verdes são os grandes inimigos da natureza. Além disso, a Amazônia tem papel de suma importância para as chuvas e para o clima mundial e a retirada desta mata poderá repercutir em mudanças climáticas globais, como alteração no regime de chuvas.
A ausência de matas também é responsável por grandes catástrofes. Sem áreas verdes, há o aumento do escoamento, com isso, em casos de chuva forte a resposta do rio é mais rápida, causando enchentes e deslizamentos.
SOLUÇÃO?Tavares não se arrisca a apontar alguma solução, “o que poderia ser feito é muito difícil de visualizar hoje, como abandonar a utilização de automóveis. O brasileiro tem uma cultura inteira em cima dos carros; seria uma mudança total na cultura e economia do planeta”, afirma.“O que se tem falado muito é sobre pintar o telhado da casa de branco, isso pode ser uma solução, pois reflete a energia, mas também, se já é difícil convencer as pessoas a não deixar água parada porque prolifera a dengue, imagine fazer com que todos pintem o telhado de branco”, questiona.

Z FOTOS
CALOR (1)Professor da Unesp, Antonio Carlos Tavares
CALOR_GRAFICO

Z FOTOS CALOR (4)Jesus Vilela, de 60 anos, sabe muito bem o que é passar calor. Há 30 anos trabalha como servente de pedreiro, enfrentando o sol quente de segunda a sexta, das 7 às 17 horas. Mas, ele confirma: “Este ano está mais quente do que todos os outros; está impossível trabalhar, chego a passar mal, ficar perturbado e muito cansado com este calor. O horário das 12 às 16 horas é o pior de todos”. Apesar de beber bastante água e usar boné nas horas de serviço, o filtro solar e outros cuidados com a pele são esquecidos, “nunca usei nada, só o boné que não abandono”, acrescenta.
Z FOTOS CALOR (6)Alex Manratha Haaks, de 24 anos, está consciente dos cuidados que se deve ter com a exposição excessiva ao sol. Há um ano trabalhando como motoboy, ele está em contato direto com o sol todos os dias das 8 às 18 horas. O segredo para manter a saúde da pele ele conta: “Muito protetor solar, blusa de frio branca e óculos de sol”. Alex aplica o protetor solar de fator 50, duas vezes por dia, além de protetor labial, óculos de sol de boa qualidade e blusa de frio branca para proteger e refletir o calor. “Temos que estar atentos para o cuidado com a saúde, principalmente agora que a radiação e o calor estão mais intensos devido ao aquecimento global”, conta o motoboy, que chega a sentir muita indisposição, cansaço e dores de cabeça ao final de um dia excessivamente quente.

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