Foi há vinte anos que Pedro Ferreira da Silva Jr., ou apenas Minhôco, chegou em Analândia. Um dos pioneiros do turismo na cidade, ele foi responsável pela formação da agência Bicho do Mato e, também, pela criação de um dos primeiros circuitos de arborismo do país, instalado no Morro do Cuscuzeiro.
Hoje atuam no município três agências: a Bicho do Mato, a recém inaugurada Cuzco e Gaia, fundada há um ano e meio. A comunicação entre as três avançou e muito com o tempo, estão sempre em contato para saber o que cada uma vai fazer no dia, e manter sempre o número de visitação permitido para cada lugar.
Manter um número restrito de visitação para cada lugar é garantir o respeito ao meio ambiente, controlar a degradação ambiental e manter as trilhas e pontos turísticos em perfeito estado. Monitores e escaladores, voluntariamente, fazem a manutenção das trilhas e das placas explicativas, aderindo ao projeto “Defensores do Morro do Cuscuzeiro”.
SIMPLE LIFECom a exibição do reality show da Record “Simple Life”, realizado na cidade no ano passado, o turismo de Analândia aumentou mais de 100%. Se em agosto de 2006 foram 200 atendimentos no PAT (Posto de Atendimento ao Turista), em agosto de 2007 (mês de exibição do programa) o número passou para 600 atendimentos. O programa levou Analândia ao conhecimento do grande público em todo país, sendo caracterizado como um ícone de cidade interiorana, com belas paisagens e sossego.
POTENCIAL PRECISA SER RECONHECIDO
Para o proprietário da agência Gaia, Michel Gonçalves, a visibilidade trazida pelo programa poderia ter sido melhor aproveitada. “A procura pela cidade foi muito grande, mas não havia um planejamento para abrigar tanta gente, muita fila em restaurantes, pousadas e falta de estrutura, deixou bastante turista insatisfeito. E são pessoas que não vão voltar mais”, diz.
Marcelo Cavalcante, da agência Cuzco, comenta que a cidade tem muito potencial para crescer, mas não está sendo utilizado. “Precisa de planejamento para melhorar e ampliar”. Um dos pontos criticados pelas agências é a falta de um secretário de turismo, de planejamento para atividades e apoio para realização dos trabalhos.
“Falta conscientização para a cidade. Entender que o turismo pode gerar lucro e benefícios. As pessoas têm medo do turismo, existem mais de 30 cachoeiras que não conseguimos abrir para o turismo. Uma grande parte também está sendo dominada pela cana”, acrescenta Michel.
CANA
Minhôco comenta também a plantação da cana em detrimento ao turismo, a Cachoeira do Escorrega quase foi perdida devido à plantação de cana. “Conseguimos convencer o dono de que seria um bom lugar para o turismo, senão agora o lugar era para estar dominado pela cana”. Ele ainda destaca a perda da essência de muitas festas populares, como a Festa do Carneiro, que trazia centenas de pessoas à cidade, e hoje, vê o número de público e mídia acabar aos poucos. “O turismo em Analândia já foi mais forte”.
TURISTAS e EMPRESASInúmeras são as pessoas que procuram o descanso e a beleza da estância em feriados e finais de semana. De acordo com Marcelo, da agência Cuzco, o público que procura a estância para passar feriados curtos provém de cidades vizinhas. Já nos feriados prolongados trazem gente de longe, como São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. “As pessoas ficam sabendo da cidade através da internet, na maioria das vezes, em sites de busca e também do boca a boca”, comenta.
A idade desse público varia de oito a 70 anos, sendo o público mais ativo entre 20 e 30, procurando atividades como rapel, escalada, bóia cross e caminhada. “Hoje, o perfil do público mudou um pouco, quem nos procura são escolas, empresas que querem desenvolver dinâmicas de grupo e aplicar teorias na prática”, diz Marcelo.
Atividades corporativas estão sendo trabalhadas por todas as agências da cidade. “Ao invés de se fazer uma festa de confraternização da empresa e gastar dinheiro com isso, as empresas estão preferindo trazer os funcionários para cá e desenvolver dinâmicas para aumentar o entrosamento entre todos, facilitar a convivência. É um dia divertido que todos passam juntos”, esclarece Minhôco.
Z ANALANDIA FOTOS
Turismo1Marcelo Cavalcante, da agência Cuzco
Turismo4Michel Gonçalves, da agência Gaia
Turismo5Pedro Ferreira da Silva Jr., Minhôco, da agência Bicho do Mato
***BOX***
40 guias turísticos atuam em feriados80% deles são moradores de Analândia200 turistas procuram o PAT por mês300 leitos estão disponíveis em pousadas e hotéis300 a 400 barracas por camping no carnaval5 restaurantes no centro da cidade30 mil pessoas no último carnaval
***BOX***
Pontos turísticos
Morro do CuscuzeiroCom 40 rotas de subida (vias), o morro é procurado para escalada, rapel e arborismo. No local há camping e restaurante. É reconhecido como o quinto maior ‘point’ de escalada do Brasil.
Morro do CameloProcurado para caminhada e um pouco para escalada, que ainda não foi muito desenvolvida.
Cachoeira da BocainaCom 55 metros de altura, é procurada para o cascading (rapel em cachoeira).
Cachoeira Monte Sião Com 30 metros de altura, procurada para cascading
Ruínas da chaminéAntiga fazenda de café do século passado, em ruínas, é feito um trekking de duas a quatro horas até chegar o local.
Cachoeira do escorregaProcurada para o banho, caminhada e camping. O local tem restaurante e está bem preservado.
Pontos públicos: Salto Major Levy, Ponte Amarela, Recanto da Saúde.
Em pontos particulares chega a ser cobrado de R$3 a R$5.
Z ANALANDIA FOTOSTurismo3 – crédito: Felipe Gonçalves
***BOX***Equipamentos de segurança
Para a prática dos esportes de aventura o equipamento deve ser de qualidade, aprovado pela UIAA (União Internacional das Associações de Alpinismo), com certificação internacional em altura. Atento a essas necessidades, os esportes de aventura em Analândia nunca registraram um acidente.
Cadeirinha – suporta 1800 quilos, todas as amarrações são feitas nela.Mosquetão – faz a ancoragemCapacete – essencial para todas as atividadesFitas solteiras – ligam a cadeirinha no mosquetão, usada para ancoragemFreio 8 – sistema de freio para o rapel, descer sem esforço
Z ANALANDIA FOTOSTurismo2
quarta-feira, 25 de junho de 2008
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