sexta-feira, 13 de junho de 2008

Cidade da música

O dono do bar, o cara da loja de tintas, o fotógrafo da esquina, o moço da prefeitura, a menina da loja de instrumentos musicais, o homem que passou apressado pela praça, em um curto percurso de não mais que um quarteirão, é possível contabilizar muitos deles. TODOS músicos!
O que para qualquer cidade do interior pode parecer um sonho, em Cordeirópolis é realidade, ou, como diria Luiz Nardini – ilustríssima figura cultural da cidade – “CordeirROCKolis”. Música, cultura, atitude e rock ‘n roll parecem ser os perfeitos sinônimos para o município que completa 60 anos.
A explicação para tudo isso?“Eu acho que tem um pouco de influência de João Pacífico, ele mesmo não morando aqui trazia muita coisa, servia de referência para muito músico”, conta Marcelo de Oliveira Silva, ou popularmente conhecido Johnny Ramone, do Ramones Cover. Alceu Guimarães, aposta em uma outra afirmativa. Já veterano da música na cidade ele protagonizou diversos festivais, eventos e presenciou muitos shows: “a música foi passada de geração para geração, são famílias inteiras de músicos, os shows na cidade, festivais, um grande apoio de veículos de comunicação e uma galera que queria ver a coisa acontecer; acho que foi daí que veio essa ligação entre o município e a música”.
Tudo começou na década de 80, com o surgimento de bandas como Fogo Fátuo, Girassóis da Rússia, Desconhecidos Anônimos, Genetic Disaster, War Frost, Leecor, Nômade, Crematório, e tantas outras. Precursoras de tantas outras que estariam por vir, “a última vez que contei, ano passado, eram mais de 32 bandas na cidade”, lembra Alceu, que confirma: Cordeirópolis, além de ser uma cidade musical, é uma cidade do ROCK.
Famílias inteiras chegam a se dedicar à música e ao rock, como o caso dos irmãos Girotto – fundadores da War Frost; a família de Marcelo do Ramones Cover, a família de Cristina e Tânia – do Expresso Noturno; e tantas outras que vão passando a tradição adiante. Tradição seguida nas lojas de cd’s da cidade, que estampam inúmeros álbuns de rock, incentivando o consumo; a loja de instrumentos musicais que tem uma enorme procura de guitarras e baterias; e a escola de música, que dos quinze alunos, todos tocam rock.
“A cidade já teve muito festival de música, o Canta Cordeiro, Lua e Canção, CordeiROCKolis, e mesmo o Roller Car”, conta Luiz Nardini. Foram festivais que trouxeram músicos de longe para prestigiar a estrutura e o bom público da cidade. Além de festivais, shows isolados de bandas reconhecidas também serviram de incentivo a muita gente, apenas algumas: Ratos de Porão, Cólera, Dead Fish, Doble Fuerza (Argentina), Cut your hair e Wozjchec (Alemanha), Barão Vermelho, Ira!, e muitos outros. “O pessoal vê os shows e se empolga em formar banda, em querer ser músico também”, diz Alceu.
Não só o rock ‘n roll
Não é só dos cabeludos que vive a cidade, prova disto são brilhantes bandas marciais e fanfarras. Mostrando que a paixão do cordeiropolense é a música, não importando o tom. “Depois da vinda do projeto Guri e da formação de mais bandas marciais, violinos, tropete tem vendido demais. Ficamos até impressionados, instrumentos clássicos tem saído de balde”, destaca Cristina Maria Carini, musicista e proprietária da loja de instrumentos musicais Musicord.
Sertanejo também não poderia estar de fora, como toda boa cidade do interior, são diversas as duplas que se destacam, mas, com um diferencial, um ‘toque’ rock ‘n roll.

***BOX***Marcelo Oliveira Silva seguiu os passos do pai, que chegou a cantar de rádio Record, autodidata segue a tradição da família, na qual os cinco irmãos tocam diversos instrumentos. Carlos (25), Marcelo (24), Daniel (23), Oziel (21) e Leandro (14), são a prova viva que a Cordeirópolis mantém a hereditariedade musical, e principalmente, rockeira. Todos tocam em alguma banda de rock, e ainda pretendem montar o The Oliver’s Rock, banda reunindo os cinco irmãos.
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***BOX***Ramones Cover de CordeiroUma das bandas cordeiropolenses que mais chegou longe foi a histórica Ramones cover. Formada em Agosto de 1999, a banda acabou em 2007, mas as conquistas ficarão para a história. A proposta inicial era manter uma performance e qualidade extremamente idênticas à banda original, incluindo instrumentos, roupas, cabelos, sonoridade e presença de palco. Formada por Daniel (vocal), Marcelo (guitarra), Rogers (bateria) e Ricardo (baixo/vocal), a banda chegou a tocar com Marky Ramone, integrante oficial da banda estadunidense, ainda chegou a ser destaque na revista Rolling Stone de Nova York, sem contar os inúmeros convites para turnê na Europa, Argentina e matérias em revistas de todo país.
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Cultura_musica4“A base do rock em Cordeiro é o Ramones, não tem um que não ouve”, conta Marcelo, Johnny Ramone.
***BOX****Alceu Guimarães, sempre procurando algo para fazer, foi o responsável por muitos shows na cidade e também pelo baixo da banda Hell Noise. Sobre a banda ele não fala muito, mas sobre os eventos, são tantos que nem é possível contabilizar. O mais expressivo, lembra, foi o Celeiro do Rock, montado em uma antiga granja transformada em casa de shows para pagode e sertanejo, foram alguns meses até convencer o dono do lugar a abrir espaço para os cabeludos barulhentos, mas foi um preciso apenas um dia, para que o dono percebesse os benefícios em apostar no rock ‘n roll. Além de pacíficos (em dois anos e meio de Celeiro do Rock contabilizou-se apenas cinco brigas sem intervenção de policiamento ou seguranças, todas sem gravidade), os rockeiros consumiam muito e compareciam em peso. “Foi assim que conquistamos grande parte dos lugares na cidade; é um público que não dá trabalho e consome muito”, conta Alceu, que mantém a chama acesa com pequenos festivais, quase que mensais.
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cultura_musica“A paixão por rock é tanta que chegamos a montar e desmontar o palco da prefeitura para poder fazer um show”
***BOX***Misturando as raízes interioranas e uma história de rock, muitas duplas sertanejas surgiram daí, Valmir Sanchez, ex-integrante da banda Nômade, hoje mantém uma dupla sertaneja. O mesmo para Kleber Granso, ex vocalista da banda Flores do Deserto, hoje, parceiro de Fábio Bonzanini na dupla Kleber Branco e Fabiano.
Com proposta de mesclar a herança rock de Kleber e a história sertaneja de Fábio, a dupla conseguiu uma sonoridade singular que tem agradado muitos veículos de comunicação do país todo. Em maio último, a dupla abocanhou o prêmio de artista revelação na TVS Brasil, regional do SBT na Praia Grande. “Estamos entre os dez mais tocados no sul de Minas”, conta Fábio, que se espanta com a popularidade que a dupla vem ganhando, em apenas um ano juntos, já estiveram cinco canais de televisão e estão com propostas da rede Globo e de Mazinho Quevedo, “nem esperávamos chegar tão rápido”.
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