segunda-feira, 2 de junho de 2008

A educação de ontem e hoje

Violência e falta de respeito em sala de aula, tanto com o professor como entre alunos, tem se tornado uma prática crescente e agravante em todas as escolas. Isto pode ser percebido se avaliarmos a história da educação no Brasil e ponderarmos o comportamento de alunos e professores em sala.

Railda Viterbo Erenha Abdalla comenta que antigamente havia uma “irreverência” por parte dos alunos, que gostavam de piadinhas e brincadeiras em sala de aula, mas era algo mais velado, e apenas um ou outro aluno que saía das regras. Na época, para combater as “afrontas” os professores chegavam a utilizar de força, conta ela lembrando-se de sua época de menina. Railda com 73 anos, lecionou por 30 e depois de se aposentar retornou às salas de aula ano passado, para dar aulas de reforço no colégio Caic, no Jardim das Palmeiras.

“A escola já passou por um período de autoridade severa, depois do Estatuto da Criança e do Adolescente muita coisa mudou”. A professora conta que o aluno respeita quem o respeita também, hoje, eles não encontram professores realmente compromissados com o verdadeiro aprendizado, como diria Paulo Freire, a leitura de mundo, tão necessária ao desenvolvimento do saber e da ética. “Quando foi instituída a Lei 5692 de 1971, professores e diretores tiveram que se restringir apenas à problemática do processo ensino-aprendizagem em sala de aula, porque pensar o processo pedagógico e o ajustamento pessoal atual e futuro da criança pertenceria a um outro profissional. Só que este profissional não existe”.

Para Railda a formação moral e ética dos alunos ficou a mercê, única e exclusivamente, da escola, que acabou por acumular inúmeras funções sozinha. A sociedade acredita que toda a educação deve se processar na escola, mas esquece que o aluno passa apenas seis horas, em média, por dia na escola, o restante do tempo passa com a família, vizinhança, igreja, e outros, e que todos são responsáveis pela educação do aluno. “A educação deve ser partilhada, a escola não é salvadora, não é capaz de tudo, ela pode auxiliar se trabalhada em conjunto, o professor não pode fazer tudo sozinho”.

A falta de uma família estruturada e o excesso de contato com a televisão são os maiores agravantes para a situação. Uma família desestrutura não dá base para o professor atuar com mais tranqüilidade e segurança, o aluno não encontra valores em casa. E a televisão torna as crianças mais dispersivas e desatentas, cada vez mais impossível de mantê-las 50 minutos ou mais, dentro de uma mesma sala, ouvindo um professor falar ou tendo de utilizar da imaginação, quando a televisão traz tudo pronto e “mastigado”, sem necessidade de reflexão.

“É um desafio dos grandes”, exclama a professora, falando das dificuldades de um professor em sala de aula. “O país conseguiu com que os alunos freqüentassem a escola, quase todas as crianças freqüentam, agora, o grande desafio do século XXI é fazê-las aprender”.

“Para dar aulas hoje tem que ser pelo compromisso político, por acreditar e por querer mudar algo”.

Muitos são os professores com medo de entrar em sala de aula. Railda comenta que
“o professor ético dificilmente é insultado pelo aluno”, não só professor como escola, que possuem um compromisso político, a procura pelo bem comum, tende a ter bons resultados com a diminuição da violência. “Se for feito um trabalho coletivo da escola, com equipe pedagógica e o coletivo docente, o resultado será bom. O professor sozinho, não pode resolver essas dificuldades. Ele deve encontrar apoio e incentivo para fazer um bom trabalho”.

Segundo ela, as escolas deveriam desde o começo prestar auxílio aos novos professores, pois muitos deles entram em sala e aula sem saber a verdadeira realidade, sem saber como controlar ou lidar com os alunos. “Há um tempo atrás podia ter uma estagiária dando aulas junto ao professor da sala, isso era muito bom, pois o novo professor ia aprendendo com a experiência de uma pessoa que já lidava com aquela situação há anos”.



Z FOTOS

Escola_professora
Railda Viterbo Erenha Abdalla, 73 anos, cursou o magistério, formou-se em Pedagogia pela Unesp e especializou-se em alfabetização na Ufscar

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