quarta-feira, 25 de junho de 2008

No banco da PRAÇA...Analândia

Muitas são as lembranças da Anápolis de muitos anos atrás, da época das grandes fazendas de café, das dificuldades em locomoção e do quanto era difícil conseguir sustento para viver. Visitar as belezas de Analândia era impensável; muitas onças impediam o caminho.
Arlindo Bueno, de 75 anos; Joaquim Coelho, de 76; e Antônio Pereira, de 63; são três simpáticos senhores que podem ser encontrados ali na praça, sentados trocando lembranças de um passado saudoso. Os três foram nascidos e criados em fazendas e sítios e hoje Arlindo e Antônio vivem na cidade; Joaquim continua no sítio.
“Na nossa época quase todo mundo morava em fazenda, difícil quem vivia na cidade, todo mundo trabalhava em fazenda”, conta Joaquim, sempre sorridente, ainda apoiando-se em uma bengala. Inúmeros moradores das fazendas de café na região lotavam a cidade em períodos de festa, em uma época que a população chegava a ser o dobro da atual.
“Hoje o café é colhido todo com maquinário, tem máquina pra tudo, antes era tudo feito por gente mesmo, com burro e boi. A fazenda São Francisco chegava a ter 100 mil pés de café, hoje não deve ter um”, lembra Arlindo, ainda inconformado com tantas mudanças.
Pensar em vir para a cidade, só se fosse para comprar açúcar no armazém, conta Antônio. Em Analândia havia quatro, ou então, para ir ao cinema e logo depois ao baile. O salão de baile tinha duas ou três sessões nos finais de semana. “Antes tinha tanta moça que chegava a encher o salão, mas todas iam com o pai e a mãe, a gente não podia nem olhar! Nem olhar podia! Hoje, eles ficam aí se agarrando, pode qualquer coisa. O cinema também tinha bastante gente, mas se abre hoje, morre de fome, porque todo mundo tem TV”, diz Arlindo.
A cidade, que começou com uma rua, aquela da frente da igreja, com pedregulhos e uma praça, era movimentada apenas com carros de boi e pela espera da “Maria Fumaça”. “Nessa época a cidade se chamava Anápolis, aí precisou mudar, porque tinha uma com o mesmo nome em Goiás, aí ficou Analândia, cidade de Ana, por causa de Santana”, diz Joaquim.
Visitar pontos turísticos como as cachoeiras ou o Cuscuzeiro, nem pensar: “Não tinha como visitar não! Tinha muita onça! O que tinha de onça, até hoje ainda tem, mataram duas ali embaixo outro dia, mas é menos do que tinha antes”, comenta Arlindo.

Z ANALANDIA FOTOS
HistoriaArlindo Bueno, Joaquim Coelho e Antônio Pereira
Z ANALANDIA/PASTA ANAL
45Capricho da natureza – Morro do Coscuzeiro

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