Frase de efeito
“Graças a Deus estou vivo, e pintando”
Tarefa não muito fácil é encontrar Írio Alves em casa. Todas as tardes, das 13 às 18 horas, ele sai para ‘bater pernas’; o destino é a casa de Domingos Franciscati, a finalidade: jogar tranca com mais dois amigos. Essa é a rotina que o senhor de 90 anos enfrenta há um bom tempo, aliás, rotina é uma coisa que não se pode mencionar na vida de Írio.
Nascido em 29 de junho de 1918, em Rio Claro, ele vive há 60 em Cordeirópolis. De lá pra cá já foi: pintor, escultor, proprietário de quitanda, farmacêutico, agente sanitário, fotógrafo, vereador e, talvez, algumas mais que tenham passado despercebidas ao REGIONAL.
Detalhes e pequenas recordações não passam em branco pelo senhor que se lembra de datas, nomes e situações de um passado remoto. “O médico disse que eu tenho cabeça de menino, quando fez o encefalograma, da última vez”. E foi ele que nos contou um pouquinho sobre a Cordeirópolis de antes e de hoje.
A história da vida de Írio caminha paralela à história do município. Formado em 1937, na Escola Profissional em Rio Claro, cursou pintura artística, mudando-se para Cordeiro em 1943, quando fundou uma quitanda para vender pães, massas, alimentos. “Eu me lembro das ruas da cidade sem asfalto; quando passava algum carro tinha que fechar a porta do estabelecimento senão enchia de pó, era aquela terra vermelha”.
Em 1948 entrou para a política, a pedido do irmão Durval, que fôra um dos primeiros vereadores da cidade, quando Cordeirópolis ainda era distrito de Limeira. “Eu entrei para a política pelo meu irmão, nunca gostei muito, mas acabei ficando por 16 anos vereador. Hoje não quero nem saber de política”.
Írio tornou-se agente sanitário em 1951, até aposentar-se. Enquanto trabalhava no Pronto Socorro, ainda colecionou muitas histórias para contar, auxiliou José Moreira na farmácia aplicando injeções, até comprá-la e depois vendê-la para o cunhado. Ainda foi fotógrafo, tirando fotos para carteiras e documentos. “Era uma época que todos se sentavam na rua, colocavam as cadeiras na calçada e ficavam conversando, não precisava fechar as portas, nem encostar, não tinha perigo, a cadeia tinha dois soldados, mas não tinha nenhum preso. Eu conhecia todo mundo aqui, agora não conheço mais”.
PRECURSORMas, dentre todas as atividades há uma que inegavelmente se destaca. Na sala da casa já é possível ver pela parede, inúmeros quadros pendurados: “eu perdi a conta de quantos fiz, tem pendurado por toda a casa e mais alguns que estão guardados”. Foi ele o responsável pela pintura da igreja central, do altar da igreja de Cascalho e até da igreja Boa Morte, em Rio Claro. As pinturas se foram com o tempo e as muitas reformas pelas quais as igrejas passaram. O que ficou foram as lembranças.
Na igreja central a pintura foi feita a pedido do padre Santo Armelin. “A igreja estava muito velha, o forro caindo, eu e meu irmão fomos ajudar, não cobramos nada só pedimos o material, demorou seis meses, isso em 1946. O padre pediu para eu pintar as iniciais de Santo Antonio atrás do altar, essa é uma história engraçada. Eu fiz uns ramos de lírio e coloquei as iniciais S.A., e todo mundo vinha perguntar o porquê do nome do padre atrás do altar. Eram as mesmas iniciais”.
Um dos precursores das artes plásticas na cidade, o senhor de 90 anos, lembra que Cordeirópolis é realmente um “Celeiro de Artistas”. “João Pacífico foi muito importante para a cidade, cheguei a ir várias vezes em São Paulo buscá-lo para trazer ele aqui nas festas do município, isso na época que eu era vereador, ia eu e mais um motorista”.
Nas artes plásticas, ele destaca diversos nomes, como a importância de Norma Aparecida Basque Stahl para o surgimento de muitos outros. Na música comenta a crescimento das bandas. “Eu tive até vontade de entrar para a banda da cidade uma vez”.
“Cordeirópolis é minha cidade do coração, agora só saio daqui se for pro cemitério”.
Z FOTOS
Historia1 – RECORTAR
Historia2 – Inúmeros quadros na parede da sala mostram a grande paixão de Írio
Historia3 – Além de pintor, também escultor
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário