Sofrendo, diariamente, agressões verbais, morais e físicas, os professores estão acuados e não procuram assistência jurídica, é o que mostra os dados da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), da regional de Rio Claro, que também congrega Ipeúna, Corumbataí, Itirapina e Santa Gertrudes. O diretor e coordenador da entidade Ademar de Assis Camelo, conta que recebe muitas reclamações e relatos de professores, mas que nunca se registrou uma denúncia oficial. “Se há denúncia ou registros, procuramos uma assistência jurídica para o professor. Mas eles estão reféns, acuados”, acrescenta.
Ademar comenta que são inúmeros os casos de agressão verbal e moral nas escolas da região. “A violência está banalizada, está presente em todas as escolas públicas ou particulares”. E um dos fatores que muito contribuíram para isso foi a Progressão Continuada, agravando a falta de atenção dos alunos, que não se sentem cobrados, apoiando-se na promoção automática. E também, a legislação branda, que não defende os direitos do professor, protegendo em muitos casos, alunos agressores.
Com a falta de respaldo os professores enfrentam problemas de saúde, encarando uma jornada estafante e salas com 40 ou 50 alunos. Estudos mostram que a Síndrome de Burnout está sendo diagnosticada em inúmeros professores no país. O estresse causado pode levar à depressão e até mesmo ao suicídio. “As condições econômicas também são precárias. A Apeoesp defende o fim da bonificação, o professor recebe gratificações e bônus enquanto está atuando, mas quando se aposenta isso faz falta. Somos a favor da incorporação desse valor no salário do professor”, acrescenta Ademar.
Segundo o diretor, a violência com os professores já vem de cima, o governo não ouve o professor, não escuta suas necessidades, impõe determinações sem consultar as verdadeiras necessidades e realidade em sala de aula.
SÍNDROME DE BURNOUT
A Síndrome de Burnout é causada por circunstâncias relativas às atividades profissionais, ocasionando sintomas físicos, comportamentais, afetivos e cognitivos. Inicialmente foi observada em trabalhadores da área da saúde que desempenham uma função assistencial, caracterizada por um estado de atenção intenso e prolongado com pessoas em situação de necessidade e dependência. Com o passar do tempo, pôde ser identificada em outras profissões, entre elas a de professor.
A razão para a incidência da síndrome está ligada, sobretudo, à falta de reconhecimento. A desvalorização do professor, seja ela por parte do sistema, dos alunos e da própria sociedade, é um dos maiores agentes para a ocorrência do Burnout.
O Burnout em professores pode ser caracterizado por um estresse crônico produzido pelo contato com as demandas do ambiente acadêmico e suas problemáticas. Especialmente aquelas que não dependem apenas da ação dos docentes para serem resolvidas.
Além disso, o posicionamento dos alunos em sala de aula também contribui para um maior desgaste. Em muitos casos, a indisciplina é a grande responsável por uma eventual sensação de frustração e até a desmotivação do profissional. Não são raros os professores que se queixam da falta de interesse dos alunos e assumem a culpa por este fato acreditando que deveriam dominar as mais diferentes técnicas para estimular o aprendizado.
É importante estar atento a esta síndrome, porque além do esgotamento psicológico, despersonalização dos profissionais e disfunções no desempenho profissional, o Burnout pode causar ainda complicações de saúde decorrentes do stress crônico e deterioração da qualidade de vida.
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Eleições na Apeoesp
Na próxima quinta-feira (5), a Apeoesp realiza eleições para a diretoria estadual e regional do sindicato. As urnas estarão disponíveis nas escolas, diretorias de ensino e na sede da Apeoesp regional, Rua 5 avenidas 8 e 10, das 8 às 21 horas. Para efetuar o voto o professor deve estar com o holerite e o RG em mãos.
Z FOTOS
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Ademar de Assis Camelo, diretor da Apeoesp regional de Rio Claro, que atende 19 escolas e possui 1200 associados
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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