CLARO
Na vida, adotamos um trabalho, uma esposa (o), uma casa, amigos, tudo é um processo de conceder amor. “Adotar é acreditar que a história é mais forte do que a hereditariedade, que o amor é mais forte do que o destino.” (Steve Jobs)
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, toda criança tem direito à convivência familiar sadia. O que nem sempre acontece, atualmente, são 80 mil crianças abrigadas no Brasil, o que deveria ser medida provisória torna-se definitiva. O que vemos são inúmeras crianças e adolescentes entre cinco e 18 anos em abrigos, já sem esperança de ter uma família e um lar.
UM SONHOO perfil dos pais adotivos mudou muito com os anos. Antes, muitos deles procuravam a adoção para substituir filhos que haviam perdido ou suprir alguma ausência. O quadro atual é de pais que já têm filhos biológicos e decidem adotar, de pais que já são adotivos e retribuem o processo, pais que vêm de outro casamento e formaram uma nova família, ou ainda, solteiros e viúvas.
A psicóloga Erika Cristina Magesto, também voluntária do Grupo de Apoio a Adoção de Rio Claro, diz que o desejo de fazer o bem não pode ser a única motivação, pois além de suprir as necessidades da criança, os pais estarão suprindo suas próprias necessidades.
Há muita discussão sobre a criação de filhos adotivos, principalmente os já de idade avançada, devido à história de vida que trazem. Erika explica que isto não é real, “o filho adotivo traz o mesmo trabalho que um filho biológico, não é diferente, o que não se pode fazer é esconder a adoção, isto precisa ser trabalhado, não escondido, pois a criança sabe inconscientemente, então a história que ouve é diferente da que viveu, isso causa problemas”, diz.
ADOTE
Criado a partir da iniciativa de um pequeno grupo de pais adotivos que se encontravam informalmente para dialogar sobre adoção, em 8 de maio de 1993, surgiu o Adote - Grupo de Apoio à Adoção de Rio Claro. Os pais se reuniram para discutir a garantia e direito à convivência com pais biológicos ou adotivos.
O grupo Adote é um dos pioneiros no Brasil, quando surgiu havia apenas oito em todo país. Hoje, o grupo é um dos mais atuantes do estado. Os dois objetivos principais do projeto é trabalhar preventivamente com famílias que estão para abandonar os filhos, atuando para que isso não aconteça; e, também, procurando pais para crianças abrigadas e crianças para pais que queiram adotar. Paralelamente a isto são promovidos cursos e reuniões de debate sobre a criação dos filhos.
Hoje são aproximadamente 40 pessoas que freqüentam as reuniões do Adote, toda terceira sexta-feira do mês. A próxima acontece dia 16 de maio, na sede provisória (Avenida 50 nº 488, Jardim Portugal). “Ainda não temos sede própria, apesar de 15 anos de trabalho. A prefeitura já nos cedeu o terreno, precisamos agora angariar os fundos para começar as obras”, conta Sérgio Dalaneze, assessor jurídico do grupo.
As reuniões mensais são temáticas, onde é feita a preparação de pretendentes e acompanhamento em adoção, intervenção na cultura sobre paternidade e adoção e intermediação de adoções. “As reuniões orientam e diversas vezes vimos pais mudarem de opinião sobre a adoção. Muitos começam a freqüentar as reuniões, com intenção de adotar crianças mais novas, mas depois das reuniões muitos optam por adotar mais velhas”, conta Peterson Santilli, presidente do Grupo.
O Adote também é responsável por intermediar adoções, como indicar crianças para os pais que freqüentam. Entre os dados estatísticos do grupo constam 86 crianças disponíveis, e 103 pretendentes, “se fosse ver teríamos mais de uma família para cada criança, mas tudo depende do perfil de criança que a família escolhe. Muitas delas são grupos de irmãos que não podem ser dissolvidos”, diz Erika Cristina Magesto, psicóloga voluntária no grupo.
O processo de adoção sempre foi conhecido como demorado e complexo, Sérgio Dalaneze explica que o processo jurídico é muito rápido e sem complicação, a demora fica por conta do perfil da criança. “A maior parte traça o perfil de crianças de zero a dois anos, branca, o que demora mesmo para aparecer”. Peterson comenta que os dados de 2004 mostravam que para cada criança entre zero e dois anos havia 35 pretendentes, já para crianças acima de cinco anos havia 66 crianças para cada pretendente.
Outro processo que, hoje, é demorado é a destituição de pátrio poder, que não tem prazo para terminar, mas que deve ser alterado com a nova lei da adoção, que prevê seis meses para o encerramento do processo. O Adote está de portas abertas para receber pais que queiram se informar mais sobre a adoção, é um processo de muitas dúvidas, e conversar com mais pessoas que trabalham diretamente com o assunto pode ser vital. Quem tiver interesse em ser voluntário também é muito bem vindo. Mais informações sobre o projeto gaarc@gaarc.org.br ou (19) 3523-6137.
O grupo sobrevive de pequenas doações, que não suprem as necessidades, por isso são feitas promoções como jantares beneficentes. O próximo acontece em comemoração aos 15 anos, no dia 24 de maio, às 20 horas, na sede do Rotary Club (Avenida 12 entre ruas 02 e 03).
Z FOTOS
Adote1Peterson Santilli, presidente do grupo e Sérgio Dalaneze, assessor jurídico
Adote2Reuniões do Adote são mensais
BOXHistória de Vida
Marcela Aparecida França e Maria de Lourdes França são professoras, poetas e amantes da boa literatura. “Eu tinha 36 anos, e era solteira, mas queria muito ter uma filha, foi quando decidi adotar”, conta Lourdinha.
Marcela chegou com dois anos e oito meses, com um quadro de desnutrição, pequenina, magrinha e com uma triste história. Lourdinha a acolheu de braços abertos, “foi muito estranho, que assim que Marcela chegou, minha barriga começou a crescer, tive gravidez psicológica”.
Mãe e filha vivem em perfeita comunhão, dividem os mesmos gostos e aptidões, ambas freqüentadoras do Clirc (Centro Literário Rio Claro) e professoras de Português. Mostram que o laço sangüíneo não passa de uma vírgula, na história de amor que existe entre mãe e filho.
As duas deixam um recado para quem pretende adotar, “adotar não é como escolher um brinquedo, não é como uma boneca, tem que cuidar como filho biológico”, diz Lourdinha. “Se falar desde o começo que a criança é adotada não tem problema. Eu sempre soube”, diz Marcela.
Z FOTOS
Adote3Maria de Lourdes França e Marcela Aparecida França
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário