Rio Claro é popularmente conhecida como a cidade das bicicletas e não é preciso muito para essa conclusão. Ao chegar à cidade percebe-se que o número dos veículos não motorizados é assustador. Dados do departamento de trânsito indicam que em 2006 existiam 127 mil bicicletas na cidade, contrapondo os 98 mil automóveis e 36 mil motos, o que transforma Rio Claro na segunda cidade do país em proporção de população e uso de bicicletas, perdendo apenas para Joinville (SC), concluindo uma média de quase uma bicicleta para cada dois moradores.
O veículo do rioclarense é a bicicleta, inegavelmente. Exemplo disso são os bicicletários na região central, um a cada dois quarteirões, número que não comporta nem a metade das necessidades da população. No pátio das empresas e escolas é possível contabilizar uma quantia de 200 bicicletas por turno, em cada empresa e em cada escola. A explicação para a grande incidência é a topografia da cidade, extremamente plana.
Apesar do grande número, Rio Claro ainda não possui um sistema viário que se ajuste ao ideal. São contabilizados 430 acidentes por ano com bicicletas, entre os registrados pelo resgate, fora as quedas e outros acidentes que não há queixas. Com o crescimento na venda de veículos a estrutura para o tráfego de bicicletas vai sendo esquecida.
Leis e sinalização de trânsito voltadas para o tráfego das bikes também são falhas; as penalidades devem ser instituídas pelo próprio município e as placas não estão previstas pelo código de trânsito.
CICLOVIASEm Rio Claro, segundo o Departamento de Trânsito, existem 7.800 metros de ciclovias e ciclofaixas, - no Distrito Industrial com 3.200 metros, na Rodovia Fausto Santomauro que dá acesso ao bairro Jardim Novo com 500 metros; na Avenida Presidente Kennedy com uma ciclovia de 1.000 metros e uma ciclofaixa de 1.200 metros na estrada Velha de Ipeúna que dá acesso aos bairros Bonsucesso e Jardim Novo Wenzel com 1.900 metros.
De acordo com José Maria Chiossi, diretor de transportes urbanos de Rio Claro, existia sim um plano para implantar mais ciclovias na cidade, mas a estruturação das ruas impede que isso aconteça. Principalmente na área central, onde as ruas são por demais estreitas e o tráfego de carros já é caótico, implantar uma ciclovia que permeie o centro seria impossibilitar o trânsito de qualquer espécie.
“Para se implantar uma ciclovia são necessários dois metros, contando que cada rua de Rio Claro tem sete metros, se algum carro estaciona, ninguém passa. E também, tem o fluxo de ônibus que dificulta ainda mais”, ressalta José Maria.
Ainda em vias de trânsito rápido como a Avenida Visconde do Rio Claro ou a Rua 14, implantar a ciclovia também não seria possível, de acordo com o diretor de transportes urbanos, pois as vias também são estreitas, restando a alternativa do canteiro central, o que também não é bem vinda: “transformar o canteiro central pode ser perigoso, porque são vias de trânsito rápido, os carros correm muito, o que pode causar muito mais acidentes”, diz.
Quanto a implantar em bairros, o diretor alega que é complicado se fazer ciclovias que não liguem um bairro ao outro, ou que mantenham entre si uma ligação que permita um trajeto completo e seguro. “Nos lugares que tivemos tranqüilidade para construir as ciclovias nós fizemos”, afirma.
Implantar ciclovias na cidade, considerando as dificuldades físicas do momento mostra-se impossível, e em vista disto a prefeitura trabalha com projetos educativos, a fim de disciplinar e informar os ciclistas. Uma das atividades é a parceria entre a Prefeitura Municipal e a Ong Associação Cicloverde de Ciclismo, com o objetivo de realizar palestras sobre os cuidados que o ciclista deve ter ao trafegar.
Z FOTOS
Bike_transito2O diretor de transportes urbanos, José Maria Chiossi e o presidente da Associação Cicloverde de Ciclismo, Rodolfo Moreira.
Bike_ciclovia3Ciclovia no Distrito Industrial
Bike_bicicletarioMais de 16 bicicletários somente na região central
segunda-feira, 5 de maio de 2008
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