Escrito à mão
Do pombo correio ao SMS, o mundo das comunicações tem evoluído de forma assustadora. Apesar da facilidade que as tecnologias proporcionaram, há quem ainda prefira a singeleza das tradicionais formas de correspondência, como as cartas e até mesmo o pombo-correio. O JORNAL REGIONAL foi atrás dessas pessoas que privilegiam a memória e o prazer da escrita em contraste ao mundo digital e dinâmico da atualidade.
Cartas e mais cartas
Késia Frolini Pitta (28) começou cedo na arte de corresponder. Sua primeira carta foi escrita aos nove anos. “Minha família mudava muito de cidade, enquanto eu ia mudando mantinha o contato com as amigas que ficavam via carta”, explica.
Por anos manteve contato com as amigas do Paraná, quando mudou-se para São Paulo. As correspondências com as amigas de lá perduraram por cerca de dez anos. “Naquela época eu não tinha computador, internet mais difícil ainda”, ressalta.
Dessa paixão, Késia decidiu ampliar as amizades e enviou uma carta para a revista ShowBizz. “Meu endereço saiu na revista; eu estava procurando fãs do David Bowie”. As respostas vieram, e muitas, mais de cinco cartas por dia chegavam à caixinha de correio de Késia.
E para quem pensa que ela deixou a paixão de lado, as cartas resistiram à faculdade, ao emprego e à vida atribulada. “Mantenho um correspondente no Rio de Janeiro, que é um grande amigo, não deixo de escrever pra ele por nada; é uma emoção chegar em casa e ver uma carta na caixa de correio”.
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CORREIO 009
Késia Frolini Pitta, paixão por cartas e David Bowie
“Pombo correio, voa ligeiro...”
Pode até parecer letra de música, filme ou recorte de um livro de histórias de guerra, mas os pombos correios estão mais perto do que você imagina. Mais especificamente, bem no fim da Rua João Polastri, em Rio Claro. É lá que Salvador Campos Alonso (63) treina seus mais de 300 pombos.
Salvador explica que os pombos correios são bem diferentes dos pombos encontrados em praça ou soltos por aí. “Os pombos correios são atletas; têm tratamento especial, alimentação específica e tratamento veterinário”, esclarece.
Hoje, os pombos correios não são mais usados como meio de comunicação, como há séculos. São hobby, esporte e até mesmo terapia, chamada Columbofilia. Os columbófilos estão espalhados por todo o globo e realizam campeonatos, torneios e eventos ao longo do ano.
No Brasil a Columbofilia não é tão difundida quanto na Europa, onde a criação de pombos correios está arraigada na cultura, principalmente de espanhóis, alemães e portugueses. Salvador, que cria pombos desde os sete anos, nasceu em La Palma, nas Ilhas Canárias, Espanha. Veio para o Brasil aos 18 anos e não abandonou a paixão pelos pombos, que foi passada para toda a família.
A esposa, Maria Conceição Abraão Campos Alonso, o acompanha em campeonatos e auxilia no cuidado com os bichos. O filho mais velho atualmente está nos Estados Unidos, onde é correspondente columbófilo, escrevendo para o Jornal e Revista “Portugal Columbófilo”, promovendo e divulgando o desporto nas Américas e Península Ibérica. Escreve também para um Jornal Columbófilo Argentino e é editor do Jornal da Federação Columbófila Brasileira.
CAMPEONATOS
Salvador faz parte da sede regional localizada em Limeira, que conta com 42 sócios. Em Rio Claro, ele é o único treinador de pombos e leva o nome do município para todo o país em campeonatos nacionais. Na última semana, Salvador foi o campeão da disputa que aconteceu em Morrinhos (GO), sem contar os inúmeros prêmios que coleciona até mesmo como segundo lugar no Estado de São Paulo. “Esse ano estou querendo o primeiro lugar, estamos trabalhando para isso”, ressalta Salvador.
Para entender como funcionam os campeonatos, o treinador explica que o procedimento é simples. Todos os pombos são equipados com um GPS e um código de barras na pata, que permite a localização e controle da velocidade de cada animal. Os pombos são levados para o local onde será realizada a prova, através de um caminhão da própria Federação Columbófila, lá são soltos e os pombos devem retornar para casa. A colocação é classificada de acordo com a velocidade de cada atleta.
Em maio deste ano Rio Claro sediou um dos campeonatos, quando cerca de 4,5 mil pombos foram soltos próximo ao supermercado Assai.
TREINAMENTO
Há muita diferença entre os pombos comuns e os pombos correios, a disparidade pode ser percebida pelo porte beleza e tamanho dos pombos treinados. Enquanto os comuns levam doenças, por viverem soltos, os outros recebem cuidados e tratamentos veterinários que possibilitam o status de “atleta”. Os atletas, além de serem adaptados geneticamente, recebem alimentação balanceada com sete ou oito tipos de grãos e são soltos diariamente para voarem e retornarem ao pombal.
Cada pombo competidor possui uma anilha com GPS, código de barras e placa de registro. Ao passarem pela entrada do pombal, o aparelho registra a entrada de cada pombo. “Chegamos a perder 50 por cento do que criamos em provas; tem os predadores que podem pegar, faz parte da natureza não se sabe o que pode acontecer”, diz Salvador.
Para treinar os pombos, o procedimento começa quando são filhotes; eles são levadas para curtas distâncias, para que retornem ao pombal. Assim, gradativamente, é promovido o aumento da distância, para que o pombo vá aprendendo a retornar para casa. Alguns pombos chegam a atingir a velocidade de 90 quilômetros por hora, dependendo do vento podem atingir a marca dos cem quilômetros por hora, podendo chegar até mesmo antes que um carro.
“O BOM POMBO À CASA TORNA”
Para entender um pouco como funcionam os pombos correios, o principal é saber que os pombos nunca vão, somente voltam. Isso pode parecer estranho e até mesmo conflitante com o que acostumamos a ver em filmes, mas a verdade é que o pombo somente retorna. Ou seja, nos tempos de guerra, funcionava mais ou menos assim: o pombo nascido na Inglaterra era criado e cuidado no país, quando se pretendia manter contato com a França (por exemplo), este pombo era levado para o lugar pretendido; quando se desejasse enviar uma mensagem para a Inglaterra, era só soltar o pombo, que ele retornaria para o país de origem.
Por isso é difícil afirmar que os chips de celular levados para dentro de cadeias sejam levados por pombos correios. Salvador, afirma que os chips são levados por pombos comuns.
O senso de direção e a capacidade que os pombos têm em reconhecer o lugar ainda é inexplicado pelos cientistas, há diversas teorias, mas nenhuma com 100 por cento de constatação.
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POMBAL
Salvador Campos Alonso e seu Pombal Alazul, com mais de 300 pombos correios
CONCEICAO
Maria Conceição Abraão Campos Alonso mostra o jornal português de columbofilia em que o filho é colunista
ELECTRA
Electra, a grande campeã nas disputas, chegou a ser segundo lugar no Estado de São Paulo
PATA
Pombos são equipados com GPS e código de barras
Correios em plena atividade
Apesar do advento da internet e a facilidade proporcionada pelos emails, os Correios continuam a todo vapor e sempre buscando novas formas para não perder a clientela. Fabiano Laperuta, gerente do Centro de distribuição domiciliária de Rio Claro, afirma que as cartas sociais já não são mais comuns como antes, devido ao advento da internet. No entanto, para ele, a internet não prejudicou os Correios, pois as compras efetuadas na rede são todas entregues por meio dos sedex.
O gerente destaca também que a agência dos Correios localizada na Rua 4, entre as avenidas 9 e 11, mantém a melhor marca na venda de Sedex. Além das encomendas, outro filão da empresa está nos Telegramas, pois esse mecanismo dispõe comprovante com valor legal diante de instituições estatais. Fabiano também explicou que o fluxo de cartas “Fac”, diminuiu consideravelmente nos últimos tempos. As cartas “Fac” são os conhecidos boletos que empresas enviam por correio para pagamento em banco. “Hoje as empresas estão disponibilizando os boletos na internet para as pessoas imprimirem”.
Apesar da diminuição na quantidade de cartas sociais, o gerente ressalta que ainda há um grande número de cartas endereçadas a regiões com menor poder aquisitivo, como, norte e nordeste. “Essas regiões não tem o pleno acesso à internet, portanto utilizam desse serviço”, diz. Outro grande foco de entrega de cartas sociais são os presídios. Fabiano ressaltou que as cartas entregues nos presídios, comumente são decoradas com corações e desenhos, o que indica que são postadas por esposas, namoradas, entre outros familiares.
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AGENCIA
Fabiano Laperuta, gerente do Centro de distribuição domiciliária de Rio Claro

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