quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Improvisos que deram CERTO

FRASES

“Eu não consigo NÃO existe no meu vocabulário”.

“O saber não ocupa lugar”.

“Quando pinto parece que estou dentro da tela, posso até sentir o cheiro do lugar”.




Nininha Hermsdorff é a personificação de um povo. Ela, assim como muitos, veio de Minas Gerais para Santa Gertrudes tentar uma vida melhor. Saiu de Conceição de Ipanema em 1997 e chegou em Santa grávida e com dois filhos pequenos no colo. O marido veio primeiro, empregado em uma cerâmica; ela chegou trinta dias depois.
O sítio em que Nininha morava não tinha energia elétrica, a vida no campo era dura e por isso ela nunca teve oportunidade de estudar. “Estudei até a quarta série lá, mas era difícil porque tinha que ajudar a família na roça”, conta. Foi ao chegar ao município que conseguiu concluir o ensino fundamental, foi ali também que descobriu a real vocação: artista.
Nininha sempre escreveu, fazia versos poesia para igreja, bodas, aniversários e nem cobrava, “lá em Minas me diziam que arte não dava futuro”, mas ela provou o contrário. Começou aos poucos, fazendo cartões de aniversário e datas comemorativas, desenhava e escrevia os versos, a procura foi tão grande que resolveu incrementar o trabalho, “comecei a usar tinta e daí pra tela foi um pulo”.
Da tela para a xilogravura, da xilogravura para a escultura e não tinha mais como parar. Decidiu fazer aulas de pintura, apenas oito, o necessário para conhecer algumas técnicas novas e colocar a criatividade em prática. “Comecei a pintar em CD, disco de vinil, garrafa e vários tipos de sucata; vendo por um preço bem baixinho, mas dá pra viver”, acrescenta Nininha, que começou a fazer esculturas em madeira há apenas um mês.
A vontade de começar a fazer esculturas veio das aulas de xilogravura, que freqüenta há dois anos no projeto “Grupo Cupim de Gravura”, da prefeitura do município. “Eu tive vontade de esculpir quando cortaram a árvore daqui de frente de casa, eu peguei uns galhos e fui tentar, fiz uma coruja, não ficou ainda tão boa porque a madeira não é própria, mas é apenas um começo”.
Além da escultura, pintura, xilogravura, mosaico, Nininha também pinta paredes, decorando quartos infantis. Mas das artes, a grande paixão continua sendo a poesia. São mais de 200 poemas, espalhados por antologias e livros virtuais. A próxima deve sair em outubro. “Sou membro do Clirc – Centro Literário Rio Claro – desde 2004, isso me abriu muitas portas”.

AULAS
Com o que sabe Nininha se distrai ensinando aos outros, dá aula como voluntária na escola “Pedro Rafael da Rocha” aos sábados, já ministrou aulas também no Projeto Espaço Amigos, deu cursos de xilogravura em Rio Claro e muito mais. “Eu só não faço mais trabalho voluntário por falta de tempo, gosto de ensinar o pouco que sei para os outros, até porque a gente sempre aprende um pouco”.

CINEMA
Além das artes plásticas e da poesia, a grande tela não esteve fora da vida da mineirinha, que nunca foi a um cinema, mas já fez participação em três curtas metragens e se prepara para auxiliar o quarto. “Atuei no filme ‘Migração’, trabalhei no ‘Santa Água’, fiz uma ponta em ‘Um caminho para dois’ e estou me preparando para ajudar em um desenho animado, todos produzidos pelo João Paulo Miranda Maria”.


CARIMBOS

Um dos trabalhos mais curiosos de Nininha são os carimbos, criados para facilitar o trabalho como professora de catecismo. Os carimbos improvisados viraram moda. “Eu cansava de assinar uma por uma as lições de catecismo, isso em Minas ainda, ai fiz um carimbinho com o meu nome, usei o chinelo havaiana de um irmão meu e todo mundo achava incrível o que eu tinha feito”. Até mesmo oficina de carimbo ela já ministrou: “Eu uso E.V.A. para fazer o desenho, com estilete, e faço a base com chinelo havaiana. É um improviso que deu certo”.

Z FOTOS

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Carimbos feitos com E.V.A. e chinelo havaiana: improvisos que deram certo

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Apaixonada por literatura, Nininha tem mais de 200 poesias escritas

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Artes em disco de vinil, cd’s, garrafas, potes de café e escultura em galho de árvores

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Nininha Hermsdorff

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