segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Alunos vão aprender a respeitar opção sexual

A Secretaria de Estado da Educação resolveu abordar o tema “Diversidade Sexual” nas escolas estaduais. A partir de 2009 os alunos da rede estadual, de Ensino Fundamental e Ensino Médio, aprenderão sobre a importância de respeitar a opção sexual de cada indivíduo, quebrando tabus e dúvidas dos alunos.
Serão confeccionados materiais de apoio, como folders, livros e vídeos educativos, para utilização em oficinas das escolas. Todas as 5.500 escolas estaduais receberão os materiais, a serem utilizados com os alunos.
O projeto segue recomendação do Ministério da Educação de abordar a diversidade sexual em escolas. Já em outubro a Secretaria abordará o tema com educadores da rede, em encontros presenciais e vídeos-conferência, para que tratem o assunto de forma interdisciplinar, além de acompanharem a implantação do programa nas escolas.
A idéia é que se criem espaços comunitários informais para discussão e reflexão de temas pertinentes ao projeto, envolvendo centros de saúde, ONGs, associações comunitárias e outras entidades que desenvolvam ações sobre o tema.
Além de diversidade sexual, a Secretaria irá abordar prevenção a drogas, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência. Estes três temas já fazem parte do projeto “Prevenção também se ensina”, que incluirá a diversidade sexual.
A Secretaria de Estado da Educação implanta já no segundo semestre de 2008 outro projeto envolvendo a sexualidade dos jovens. Alunos do primeiro ano do Ensino Médio receberão informações sobre como evitar a gravidez precoce dentro do currículo de biologia. Cerca de 600 mil alunos de 3.600 escolas receberão o projeto.

CONTESTAÇÃO

Psicólogos, pedagogos e professores questionam o novo projeto da Secretaria. O medo de todos é a forma como isto será abordado em sala e se haverá ou não preparação dos professores para acumular mais esta responsabilidade.
A psicóloga Rosângela Salata afirma que a idéia de inserir orientação sexual nas escolas é excelente, mas teme que isso seja tratado de forma mecânica, pois os professores terão um material pronto e talvez não recebam preparação ou treinamento para o trabalho. “Corre o risco de os professores abordarem o tema com uma linguagem que não desperte o interesse dos alunos”, comenta.
A psicóloga Valderez G. Marques concorda e acrescenta que um tema tão delicado como este não pode ser programado; ele deve responder às dúvidas dos alunos.
“Os assuntos abordados devem ser do interesse do aluno e não de uma matéria preestabelecida”. Valderez ainda acrescenta que a aula de sexualidade deve ser abordada desde o Ensino Fundamental, mas com um acompanhamento dos pais. “A família sempre deve estar encampada nos projetos escolares e em temas como orientação sexual deve haver uma pessoa específica para tratar o assunto”.
A pedagoga Tatiane Cristina Bianchini comenta do despreparo dos professores para trabalhar a questão em sala de aula. “Os professores não recebem preparo no curso de formação para trabalhar isto. Não tem disciplina de orientação sexual nos cursos de graduação”. E teme que as aulas sejam realizadas de forma “biologizantes”, apenas no aspecto físico, sem considerar o lado afetivo da sexualidade. “A gravidez é abordada de forma mitificada, devido à falta de formação. Os professores falam de acordo com a experiência pessoal de cada um”.
A.L., professora eventual de português na rede estadual de ensino em Rio Claro e na rede municipal em Santa Gertrudes conta que o assunto está sendo debatido entre os professores, mas ainda não houve nenhuma informação oficial. O comentário geral entre os professores é que eles se sentem incapacitados para trabalhar estes conteúdos em sala. “Ainda não sabemos quando e nem como vamos trabalhar orientação sexual. O estado ficou de mandar o material, mas acredito que isto entre em vigor o ano que vem. Estou com medo desse trabalho porque não conheço muito sobre o assunto”.

CUIDADO EXTRA

Para as profissionais entrevistadas pelo JORNAL REGIONAL o ideal seria a presença de alguém habilitado para o trabalho, pois os professores já estão sobrecarregados de funções e delegar a eles a função de trabalhar orientação sexual na sala de aula seria atribuir mais um encargo que pode não ser cumprido.
“O projeto é interessante desde que os professores sejam capacitados para isso, ou que tenha alguém responsável para trabalhar com os alunos”, ressalta a professora A.L. Ela comenta que sente falta de uma psicóloga na escola para dar apoio tanto para alunos e professores. “Em Santa Gertrudes ainda tem o NAE (Núcleo de Atendimento Educacional), que nos auxilia em muitos pontos”.
Rosângela Salata afirma, ainda, que todo professor deveria ter direito a psicoterapia, ter um suporte de trabalho, por ser uma atividade que lida com muitas relações pessoais.

DIVERSIDADE SEXUAL

A iniciativa do governo em trabalhar a diversidade sexual em sala de aula veio de uma reivindicação entregue ao presidente Lula na 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais, realizada na capital federal em junho deste ano (leia texto nesta página).
Para Tatiane Cristina Bianchini o homossexualismo é uma questão delicada para se trabalhar, até porque alunos de 5ª a 8ª série não têm a sexualidade definida, a maioria acaba assumindo sua opção sexual depois do ensino médio. “São assuntos que devem ser trabalhados de jeito sério, para coibir as risadas e brincadeiras”.

Z FOTOS SEXUAL SALA
Alunos terão aula de orientação sexual com ênfase na opção e gravidez precoce

SEXUAL SECRETARIA
Maria Helena Guimarães da Costa, secretaria de Educação do Estado de São Paulo

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