segunda-feira, 7 de julho de 2008

TRADIÇÃO e beleza

O progresso tirou o sossego da rua, mas a cultura permanece intacta, mantida pelos velhos moradores e seus descendentes.


A 6-A é a principal rua que corta a Vila Alemã. Muitas histórias passaram por ela, muita cultura e tradição. Maria Auxiliadora Fávaro Lahr, de 73 anos, foi quem levou o REGIONAL a passear um pouco pela vida da rua 6-A.

Maria nasceu e cresceu na Cidade Nova, quando com 21 anos casou-se e mudou-se para a Vila Alemã em 1957. Lá viveu e vive na mesma casa, ali na rua 6-A.“Eu lembro que quando me mudei eu chorava todas as noites porque tinha medo do escuro, na rua toda tinham apenas três postes de energia elétrica”, conta Maria que se lembra de uma rua 6-A muito diferente da atual.

Sem asfalto, sem calçada, sem esgoto e não muito mais do que três mercados, era esta a paisagem da rua naquela época. “Vieram asfaltar e colocar esgoto na época do prefeito Schmidt, antes disso eram só fossas. A rua acabava ali na avenida 40-A, onde tinha uma reserva de eucaliptos do Koelle, até a avenida 50-A. Traziam as crianças do colégio para a floresta ao finais de semana para passar a tarde”.

Da vizinhança pacata para uma das principais vias de acesso com intenso fluxo de automóveis, a rua passou por diversas mudanças. Até 1991 tinha mão-dupla, devido ao aumento excessivo de carros e a largura da rua transformou-se em mão única.

“A rua era tão calma que meu marido, que tinha uma máquina de beneficiamento de arroz aqui na rua 6-A mesmo, colocava o arroz para secar no meio da rua. Só tínhamos que tomar conta das cabras, para elas não comerem tudo”. A máquina de beneficiamento de arroz da família Lahr era um dos únicos empreendimentos da rua, que contava com dois mercados: a venda dos Chervezon e dos Malavazi e o açougue dos Bertoncin.

“Lojas assim como temos hoje não tinha não. Eram famílias alemãs e italianas que moravam aqui; todo mundo conhece todo mundo, isso até hoje. Mas eu acho que não dá pra ser rua de comércio, a via é rápida, os carros passam muito depressa, a maioria das lojinhas acaba fechando”.


MAIS QUE VIZINHOS, AMIGOS!

Casas antigas, moradores receptivos e um ar de familiaridade rodeiam a Vila Alemã. Ali todos se conhecem, herança que vem de pai pra filho. Quem habita hoje as casas da rua 6-A são os descendentes dos alemães que, antes, eram donos de chácaras na própria vila.

As casas de arquitetura antiga, ainda com características de um tempo que carro não fazia parte da vida dos moradores, exigiram algumas mudanças. “A maioria das casas da vizinhança não tem garagem e não tem como construir porque são casas muito velhas. Como eu tinha um terreno aqui do lado, que era horta, todo mundo vinha pedir para guardar o carro aqui, então transformei a horta em estacionamento”.

FLORES
Maria lembra-se de quando ainda morava na Cidade Nova e vinha para a Vila Alemã comprar flores com a mãe. “Na Vila Alemã toda casa cultivava flores e vendia. É uma tradição alemã cultivar flores”. Tradição mantida até hoje por Maria e pelos vizinhos, seja no jardim de entrada da casa, ou no quintal. No quintal de Maria são inúmeras as flores e árvores, cultivadas com muito carinho e dedicação.

“Alemão tem muita tradição, eu lembro que logo que me mudei para cá todos vieram me fazer uma visita, trazendo um ramo de flores e um doce. Assim criamos uma amizade muito grande entre todos”.

Z FOTOS 6A

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Maria Auxiliadora Favaro Lahr, muitas histórias para contar

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Tradição de flores alemãs, ainda mantida em quintais e varandas

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Um pouco de natureza em meio a rua mais movimentada do bairro

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