O futebol não é somente paixão nacional. É um dos esportes mais populares do mundo e praticado em centenas de países. Não há muita certeza no que diz respeito a suas origens, mas há indícios de jogos com bola em várias culturas antigas, como na China, no Japão, na Grécia e em Roma. Mas é inegável afirmar que no Brasil o fanatismo por esse esporte é evidente, prova disto são os vários craques exportados para o mundo. Os meninos já nascem com a bola no pé. São dezenas deles que se dividem em horas de jogo, seja na frente do computador, no campinho da esquina ou nas aulas de educação física. A questão fica: por que há tantos brasileiros jogando futebol? O diferencial é que em outros países são incentivadas todas as modalidades de esporte. Enquanto no Brasil a Copa do Mundo vira feriado, jogos de basquete e vôlei passam despercebidos. Nos EUA, por exemplo, as crianças de primeira a quarta série passam por uma avaliação nas aulas de educação física; o professor indica o esporte mais adequado para cada uma, de acordo com seu porte físico e interesse, dando abertura para todas as modalidades de esporte. Isto faz com que as crianças tenham um melhor aproveitamento no esporte e conheçam diversas modalidades. No Brasil todos jogam futebol, inclusive meninos com porte para o basquete optam pelo futebol, e o motivo é óbvio, o futebol está na mídia, está na rua, na escola e o retorno financeiro é certo. São milhões de jovens que jogam, freqüentam escolas e times de base, procurando no jogo uma forma de se estabelecer na vida, mas destes milhões, apenas um ou dois se firmam.
O BRASIL PERDE CRAQUES
Percebendo o grande número de craques que existem no Brasil, grandes clubes investem alto nas categorias de base. O Vasco da Gama, no Rio, investe anualmente R$ 2,5 milhões nas suas categorias menores, em que treinam 170 meninos. Na capital paulista, o Palmeiras gasta R$ 100 mil mensais para manter 130 garotos nas equipes pré-infantil, infantil, juvenil e júnior. Além de ensinar futebol, paga escola, dentista, alimentação e transporte dos atletas. O São Paulo Futebol Clube pretende alugar um campo só para fazer as avaliações dos candidatos aos seus times amadores. Tantos investimentos levam aos clubes grandes nomes do futebol. Mas, esse investimento ainda não é suficiente. Clubes do exterior oferecem mais condições financeiras, levando cada vez mais cedo meninos brasileiros para o futebol europeu ou asiático. Como conta o rio-clarense Ariovaldo Tebaldi Junior, preparador físico há vinte anos, os empresários europeus vêm para o Brasil e ao ver um menino no sub-17 bom de bola, o levam para clubes na Turquia, Coréia, Vietnã. São clubes pequenos e de pouca visibilidade, mas que proporcionam um bom rendimento financeiro. “São jogadores que se tivessem ficado no Brasil mais um ou dois anos, talvez estivessem na seleção brasileira. Mas, indo para outro país não conseguem firmar, seja por causa da estrutura social, cultural ou climática. O que ele rendeu aqui não rende lá. E, também, no Brasil está em ascensão quem está na vitrine, mudar para um país distante o leva para longe da mídia”, conta o preparador físico. EDUCAÇÃO, ANTES DO FUTEBOL
Em Rio Claro, o time do Juventude treina 140 meninos, entre seis e dezessete anos. Lá o objetivo principal não é formar jogadores de futebol, mas sim cidadãos, como conta o professor José Cássio Teixeira (Cassinho): “O objetivo do nosso trabalho aqui é proporcionar lazer e esporte, unificando a parte educativa. Fazendo com que todas as crianças possam ter o seu direito de lazer, o objetivo do clube é mais educacional do que esportivo, pois todas as crianças têm necessidade de estar na escola para no futuro ser um cidadão”. Por isso, participar dos treinos no Juventude, só depois de trazer uma ficha assinada pelos pais e pela escola. Atletas que não freqüentam a escola não podem participar de aulas ou de treino, o acompanhamento escolar é feito de perto. “Se um aluno está dando problema na sala de aula, a escola entra em contato e nós fazemos uma reunião com pais, professores do clube e da escola. Se o aluno não andar na linha tanto no time, quanto na escola ele não pode mais fazer parte do time”, conta Cassinho. O trabalho de formação dos atletas deu certo. Exemplo vivo foi Elvis Alves Pereira, que freqüentou o Juventude e hoje atua em Portugal, tendo passado por times como a Portuguesa, Goiás e Esporte. O pai, Élcio Alves Pereira, também presidente do Juventude, conta orgulhoso: “Ele não é só jogador, ainda por cima é ortopedista”. Cassinho conta que o primordial é fazer com que os atletas estudem, pois são muitos os garotos que tentam pelo país, mas não são todos que conseguirão, tendo que optar por outra profissão: “Mas nunca se sabe, o melhor do mundo pode estar entre esses 140 meninos”.
Z FOTOS
FUTEBOL (14)Gabriel Henrique da Costa Conceição, de 11 anos, segue os passos do bisavô – fundador do time São Paulino em Rio Claro. Admira o goleiro Felipe, do Corinthians, e sonha ser um goleiro profissional, “não importa o time, se Palmeiras, São Paulo, só quero jogar profissional”, para isso Gabriel treina duas vezes por semana em dois períodos.
FUTEBOL (16)Liniker Ferguson Nogueira, de 10 anos, atua no meio campo, pretende seguir os passos do pai que joga no Juventude. Liniker já jogou no São Caetano e está há um ano no Juventude.
FUTEBOL (5)Élcio Alves Pereira, presidente do Juventude, e José Cássio Teixeira, técnico e preparador físico, “Para os adultos o mais importante é o troféu da universidade”
FUTEBOL (18)Crianças do Juventude, estudando e treinando para serem profissionais
segunda-feira, 21 de julho de 2008
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