A estrutura de um grande clube vai além de jogadores, técnico e um preparador físico. São inúmeras pessoas trabalhando para que o rendimento dos jogadores seja positivo, é feito um planejamento completo que depende de um patrocínio forte para se manter. São profissionais que trabalham 24 horas por dia para manter o time funcionando, entre técnico, preparador físico (dois ou três), treinador de goleiro, fisiologista, médico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, roupeiro e supervisor.
TÉCNICO
Erroneamente, o fracasso de um time é sempre destinado ao técnico, quando é uma equipe completa que trabalha para o time. Até hoje, no campeonato brasileiro, com apenas 20 rodadas, já foram trocados 12 técnicos, o que, de acordo com as presidências dos clubes é mais fácil do que trocar jogadores ou toda uma equipe. No Brasil se o time perde três ou quatro vezes já se troca o técnico. Na Europa eles ficam por 10 anos em um mesmo time. Para o preparador físico Ariovaldo Tebaldi Junior, existe todo um planejamento para que um clube se estruture; alguns deles demoram um tempo para surtir efeito e é errado atribuir toda a responsabilidade ao técnico.
PREPARAÇÃO FÍSICA
De acordo com o preparador e professor de educação física, Ariovaldo Tebaldi Junior, a preparação física nos times de futebol mudou muito de uns tempos para cá. Ele, que atuou como preparador físico nas equipes do Ituano, União Barbarense, Rio Claro, Velo, Taquaritinga, Sertãozinho e Paraná (clubes da primeira divisão), afirma que o futebol hoje é um esporte de maior velocidade. A tecnologia trouxe para o esporte materiais esportivos mais evoluídos como bolas sintéticas, tênis adequados e aparelhos de musculação com maior movimentação. As bolas sintéticas, mais leves, transformaram os jogos de futebol mais rápidos; uma bola chutada de fora da área chega a 110 quilômetros por hora, exigindo cada vez mais dos jogadores. “Hoje os jogadores passam por um treinamento individualizado. São avaliadas as necessidades de cada um como pouca velocidade, peso, resistência orgânica, e é feito um trabalho específico para cada um”, conta Tebaldi. Ele afirma que a preparação física nos jogos atuais abrange 70% do esporte. Cabe ao técnico apenas o esquema tático. O tratamento individualizado para cada atleta permite que os resultados na partida sejam mais satisfatórios, por isso, cada um tem um tempo de treino, uma alimentação diferente e atividades físicas diferenciadas. Se antes entre o primeiro e o segundo tempo, os jogadores bebiam água e chupavam duas ou três laranjas, para repor vitaminas, “em grandes clubes é feita uma análise do suor do jogador para verificar quais substâncias perdeu, se sais minerais, potássio, etc. E é feito um isotônico especial para cada um. Também utilizam muitos suplementos vitamínicos com aminoácidos e proteínas, que ajudam a ter um melhor rendimento físico”. A intenção dessa preocupação toda é possibilitar que os jogadores voltem para o segundo tempo com a mesma qualidade orgânica que no primeiro, que corram os 90 minutos sem se desgastar e impedir que o jogador sofra alguma distensão muscular. “Uma distensão tira o jogador de atuação por 40 dias, o que é prejuízo para o clube que chega a pagar 100 mil por jogador”. Essa maior velocidade, obtida através de uma boa preparação física, pode ser percebida entre jogos do anos 80 e os jogos atuais. Em 80, quando um atacante estava com a bola demorava a aparecer um marcador. Hoje, quando o jogador pega a bola no pé já tem um marcador esperando. Mas, fica a dúvida: por que apesar do maior desempenho físico, os jogares parecem “mortos” em campo? Tebaldi explica: “Hoje o futebol virou um comércio. Muitos jogadores se poupam para não machucar, quando há a proposta de outros clubes. Antigamente os jogadores ficavam nove anos em um mesmo time, hoje não passam de um ano. Antes não ganhavam tanto, jogavam por amor à camisa, hoje os empresários e o mercado do futebol tomam conta de tudo”.
NUTRICIONISTA EXPLICA ALIMENTAÇÃO
Para acompanhar o ritmo acelerado dos jogadores, a alimentação é reforçada e o condicionamento físico perfeito. Por isso, a alimentação tem que ser adequada ao esporte que o atleta pratica. Sarah Sachs Milano, de Santa Gertrudes, nutricionista da escolinha de futebol do Corinthians, em Piracicaba, conta que é feito um cardápio exclusivo para cada um. “De acordo com a avaliação física que fazemos, é feita uma orientação nutricional. A intenção é maximizar o desempenho de cada um na atividade física. Não é feita uma dieta restritiva porque trabalhamos com crianças; estão em fase de crescimento e cortar algo pode atrapalhar essa fase”. Os atendimentos são feitos também com os pais para que tenham ciência da reeducação alimentar específica que os filhos terão. “Com famílias mais carentes damos a opção para substituir alguns alimentos”, conta Sarah.
PSICOLÓGICO Muito se discute hoje sobre o psicológico dos jogadores no Brasil. Escândalos na mídia, mostrando grandes craques da bola envolvidos com drogas, prostituição, álcool e brigas, mostram a despreparação de muitos para enfrentar essa fama repentina. A maioria deles não tem formação profissional e não sabe administrar os salários astronômicos que chegam a ganhar. Prova disto são jogadores que chegaram ao fim da vida sem dinheiro algum. “No futebol a carreira dura 10 ou 12 anos e os atletas têm que segurar tudo que ganharam nestes anos para se manter depois. E é difícil administrar tudo isso”, diz Ariovaldo Tebaldi Junior.
Z FOTOS
FUTEBOL (19)Ariovaldo Tebaldi Junior trabalha como preparador físico no futebol há mais de 20 anos
segunda-feira, 21 de julho de 2008
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