segunda-feira, 8 de setembro de 2008

VINIL resiste aos tempos

Eles estão de volta! E talvez nunca estiveram longe. O fato é que os discos de vinil retornam à pauta de muitas discussões em um tempo em que o MP3 lidera os ouvidos jovens. Foi há exatos 60 anos que os discos de vinil, ou LP’s, ou ainda, bolachões, surgiram. E apesar de velhinhos, são eles os sobreviventes a tanta tecnologia, deixando no chinelo as fitas de rolo, fitas K7 e até mesmo os “compact discs” (para os íntimos, CD). Muito vem se comentando na mídia sobre um retorno dos discos de vinil. O JORNAL REGIONAL foi averiguar essa “nova” tendência e conversou com quem entende de música. Para grande surpresa, Carlos André Ferreira da Silva, ou Jhonny, proprietário da loja “Outras Histórias Sebo e Livraria”, única da região que ainda apresenta vinis em suas prateleiras, a venda dos discos tem sentido um leve crescimento. “Tenho percebido um aumento na procura de discos. Na verdade, o disco nunca deixou de ser vendido, tem sempre alguém procurando. Antes eram apenas audiófilos e colecionadores, hoje, percebo um novo público buscando informações sobre discos, jovens de 15 a 25 anos procurando vinis de MPB, black music e samba rock”, comenta. Para Jhonny, os vinis têm um diferencial em relação aos CDs, possuem um formato físico rebuscado, com arte detalhada, informações técnicas completas e uma sonoridade inigualável: “Os graves e os agudos são muito melhores do que de outras mídias”, salienta. Há um ano a “Outras Histórias” não trabalha mais com CDs, o preço alto dos artefatos e a facilidade com que as músicas são obtidas na internet fizeram com que Jhonny se mantivesse apenas com CDs e LPs usados. “Hoje você chega a pagar R$ 30 de um CD novo, mas quem compra CD são aquelas pessoas que gostam de ter um registro físico do álbum, ouviram, gostaram e querem guardar. Mas não é todo mundo que aceita pagar tanto por um CD que você baixa na internet. Por isso que os CDs usados ainda têm um pouco de saída. Você paga a metade do preço e ele está em ótimas condições”. Com os vinis a questão é ainda um pouco mais satisfatória. Vinis usados podem custar R$ 7, “exceção de raridades que podem custar absurdos”.
NÃO ACREDITA
Nivaldo Racosta, um dos diretores da rádio Opção FM, mantida pela Associação Rio-clarense dos Colecionadores de Disco de Vinil, e também DJ, alega que o vinil ainda possui muitas outras vantagens. “Os CDs oxidam, mesmo se conservados muito bem. A vida útil dele é muito curta, ele pode ficar escuro de uma hora para outra, ou criar aqueles pontinhos pretos como no espelho do banheiro. Os CD-R, CDs gravados como chamamos, são muito mais fáceis ainda de se perder, e isso de uma hora para outra sem perceber”, conta Nivaldo. Ele acredita que o vinil não irá voltar, porque a nova geração se acomodou em ter as coisas muito fáceis, rápidas e práticas. Bem longe do que um vinil proporciona. Mas reconhece que os discos são os sobreviventes da música, continuam sendo procurados e tocados, ao passo que, as fitas K7 nem são mais lembradas. O produtor de Cordeirópolis, Maurício Bento de Carvalho, do TCM Estúdio, acredita que o vinil não tem volta. A dificuldade para gravação, alto custo de produção e a facilidade com que os CDs e as MP3s são propagadas pela internet impossibilitam que os dinossauros da música retornem ao topo das vendas.
NOVA ERA DISCO
Se nas décadas de 70 e 80 eram os DJs que animavam as danceterias do Ginástico, Grêmio e Stonage, tendo como artista principal os discos de vinil, hoje em dia a coisa parece não ter mudado muito. Luiz Curinga, DJ da banda Maloca, é quem comanda as pick-ups na noite rio-clarense. As músicas mudaram um pouco, a proposta também, mas quem dá as regras ai são os mesmos: os velhos bolachões. “Usamos os vinis para fazer samplers, são os melhores para o scratch e para efeitos em músicas. Já existem algumas técnicas para se fazer isso com CDs ou pelo computador, mas não fica tão bom como com os discos. Com os discos é possível improvisar, criar efeitos diferentes quando aparece algum imprevisto, por exemplo”. Além do hip hop, os vinis também são os favoritos do estilo Techno. “Os graves e os agudos são ressaltados; os DJs de rave preferem muito mais os vinis", complementa Curinga. Gravar em vinil também é um sonho de muitas bandas nacionais. A banda rio-clarense Vulca é um grande exemplo da paixão pelos redondinhos. Seu primeiro álbum recém-lançado foi intitulado “Minha Vitrola”. Para a vocalista Mirla Salem o nome combina com a história da banda e relembra as raízes da música. “Gostaríamos muito de gravar este álbum em vinil, tem tudo a ver. É um grande sonho nosso, mas ainda é muito complicado devido a custos e oportunidades”, diz.
PIRATARIA
Algumas gravadoras tentaram reativar a produção de vinis na tentativa de impedir a pirataria, mas como atesta Nivaldo Racosta, isso é impossível, pois são inúmeras as possibilidades de se fazer uma cópia. “Eu mesmo trabalho convertendo discos de vinil antigos para CDs. O problema da pirataria foi o computador e não há mais como voltar atrás a não ser que seja criado um sistema muito avançado. Daqui pra frente as coisas vão funcionar só no computador, acredito. Você compra música pela internet como um chip e ainda por cima vai poder ver a gravação na TV de plasma. O mundo está evoluindo a toque de caixa”.
REVIVENDO O SONHO Os vinis recordam os tempos áureos da música e de um tempo que música era, também, arte visual. A unanimidade entre todos os entrevistados pelo JORNAL REGIONAL foi de que os discos carregam uma beleza em sua forma. “Dá até vontade de colocar a capa em um quadro”, ressalta Curinga. Jhonny relembra que muitos artistas plásticos surgiram fazendo arte em capas de disco.
Z FOTOS
Vinil (1)Loja Outras Histórias possui 1500 vinis nas prateleiras e mais oito mil em estoque
Vinil_nivaldoNilvado Racosta com seus seis mil vinis guardados na rádio Opção FM
Vinil_curingaDJ Luiz Curinga, vivendo dos scratchs em discos de vinil

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