segunda-feira, 28 de abril de 2008

Bem educar...

E agora, como criar o meu filho?
Depois da maternidade as dúvidas começam: devo proibir? Devo deixar? O que dizer agora? Como dividir o meu tempo entre a criança e o trabalho? Não existe fórmula, receita, tampouco manual de instruções, a questão agora é pensar com o coração e sempre ponderar antes de tomar qualquer atitude.
A psicóloga Valderez S. G. Marques alerta para a necessidade de se equilibrar o “sim” e o “não”. Ela trabalha há 28 anos na área clínica e educacional, é mãe de três filhos, entre eles um casal de gêmeos. “Não podemos exigir que sejam pequenos adultos, é necessário impor limites, falar ‘não’ é muito importante. É uma forma de dar atenção, de mostrar preocupação e carinho, é melhor do que ser indiferente”, diz.
A questão é que nos tempos atuais em que a mulher tem pouco tempo para ficar com as crianças, a ausência é compensada com o “sim”, deixando-a fazer o que quer. O tempo para convivência familiar é menor, sim, mas deve-se dar valor para os poucos momentos em que há aproximação. “Temos que nos preocupar com a qualidade e não a quantidade. Tempo para escutar as queixas, saber o que acontece na escola, quem são os amigos, com quem brinca, acompanhar o desempenho escolar, para poder orientar. Tentar ter pelo menos uma horinha para dedicar-se exclusivamente à criança”, diz Valderez.
Saber onde seu filho está, com está saindo e impor horários para chegar ou sair é importante para manter uma disciplina, coisas que serão cobradas dele na vida adulta, pois a sociedade é feita de regras e limites. E isso tudo sem esquecer que um dia você também já foi criança e adolescente, oprimir demais também pode ser desastroso.
Gilberta Teixeira Vassoler é mãe há apenas quatro meses, também psicóloga, destaca que a criança precisa ter um porto seguro, um lugar onde se sinta protegida, e o melhor local é o lar. “Independente de como se estrutura a família, a criança necessita de um lugar em que encontre abrigo, e se sinta segura”.
Outro ponto muito esquecido pelas mulheres é que, ao assumirem todas as funções da casa, do trabalho e da família em si, acabam ocupando o espaço que seria do pai. Quando há a ausência dele é realmente necessário, mas quando há é muito importante que ele tenha seu espaço nesta relação afetiva. “Eu percebo que a mulher acaba assumindo tudo, e o pai fica de escanteio. A mãe deve aproveitar isso, e deixá-lo ser mais ativo nessa relação, participar mais, dar espaço para que convivam mais e que estabeleçam um vínculo igualmente importante”, ressalta Gilberta.
Nos tempos atuais existem fatores que são imprescindíveis na educação, a sociedade está em tempos de mudanças, na criação dos filhos é necessário trabalhar a questão do preconceito, que é falada, mas muito pouco praticada. Ensinar a aceitação das diferenças e compreender que os tempos são outros e muita coisa mudou. Também, reforçar a busca da paz de espírito, da tranqüilidade e não a busca desenfreada pela materialidade, hoje os jovens estão cada vez mais fúteis, buscando ter e pouco ser. É necessário trabalhar o lado humano das crianças.

Nenhum comentário: