Volta às aulasPeríodo de adaptação e ansiedade na retorno às salas escolares
As férias estão terminando e um novo ano letivo está às portas. O início das aulas, muitas vezes, é marcado por insegurança em algumas crianças, já que se trata de um momento de mudança em que é normal sentir medo.
Para a professora e pedagoga Fabiana Rosa Vilela de Oliveira Guilherme, os alunos ficam ansiosos para saber quem serão os professores e os novos coleguinhas, em alguns casos até com medo do que está por vir. Mas, o nervosismo logo passa, “eu percebo que as crianças ficam mais agitadas entre os meses de maio e abril, quando já passaram da fase de adaptação e começam a testar o professor”, comenta a professora que leciona para uma sala de 32 alunos na Escola Municipal Antonio Maria Marrote.
Apesar da dificuldade nas primeiras semanas, a adaptação não tarda a chegar, como contou a programadora e professora universitária Nivia, mãe de Gabriel Teramoto de cinco anos, “no primeiro dia, ele se nega, fica ansioso, não quer ir; há sempre um período de adaptação, nova professora, novos coleguinhas de classe. Após alguns dias, entra na escola sem problemas, gosta muito de lá, conta tudo o que fez durante seu dia com empolgação”.
Algumas crianças não encontram empecilhos na fase de adaptação, é o caso de Beatriz, de sete anos, filha da professora de inglês Eliana Ventura, “a volta as aulas é sempre positiva, a Beatriz adora a escola e está mais motivada porque já está lendo e escrevendo. Nunca teve dificuldades com adaptação, ela não vê a hora de voltar às aulas”, conta.
DICASPara preparar as crianças (e se preparar também) para um retorno às aulas sem muita preocupação, o JORNAL REGIONAL separou algumas dicas básicas, confira:
- Eles passaram as férias sem horário certo para acordar ou ir dormir. E agora, como fazer para levantarem cedo e bem dispostos? Na semana anterior à volta às aulas os pais devem se preocupar em readaptar as crianças aos horários de acordar e dormir que serão seguidos durante o ano inteiro. A readaptação deve ser feita aos poucos para não estressar nem deixar a criança ansiosa. Acordar seu filho um pouco mais cedo e dormir um pouco antes todos os dias vai ajudar na volta à rotina.
- Na hora de comprar o material escolar, leve a criança e deixe-a ajudar a escolher algumas coisas - sempre explicando seus limites financeiros. As crianças ficam empolgadas com o caderno, com os lápis coloridos e criam um certo vínculo com aqueles acessórios novos e querem, mais do que tudo, usá-los.
- Ajude-a a preparar o local onde fará as lições de casa e, enquanto isso, converse com ela. Deixe a criança segura e mostre como é importante conhecer pessoas e assuntos novos. Enfatizar os aspectos positivos da escola é fundamental para que a criança queira freqüentar as aulas novamente.
- Crianças menores tendem a sofrer mais com a separação. Estimule a confiança do seu filho em diversos momentos durante o período que antecede a volta às aulas. Se marcar de fazer, faça. Se combinar de ir buscar em tal horário, vá. Se ele já está inseguro e sofrendo pela separação é necessário mostrar que você vai deixá-lo pela manhã, mas voltará para buscá-lo na hora combinada. Estimular a confiança é uma forma de reduzir este sofrimento.
- A alimentação deve acompanhar a rotina da criança. Mantenha uma dieta equilibrada para o seu filho.
- Separe o uniforme e prepare o lanche no dia anterior para evitar surpresas e possíveis constrangimentos nos primeiros dias de aula.
- Saia de casa com antecedência para que seu filho não chegue atrasado nos primeiros dias de aula.
- Quando voltar para casa, pergunte como foi seu dia. Procure saber detalhes. Isto estimula a criança a voltar no dia seguinte.
Ensino de nove anos:Como funciona?
A partir deste ano a Secretaria da
Educação do Estado de São Paulo começa a
implantar o Ensino Fundamental de nove
anos. Aprovada em maio de 2005, a Lei nº
11.114/2005, do dia 16 de maio de 2005,
torna obrigatória a matrícula das
crianças de seis anos de idade no Ensino
Fundamental, pela alteração dos Artigos
6º, 32 e 87 da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (Lei nº
9.394/1996). Embora, muitas escolas já
tenham adotado a nova grade, pais,
alunos e até mesmo professores ainda
esboçam algumas dificuldades em
compreender o funcionamento deste novo
currículo.
De acordo com a pedagoga Tatiane
Cristina Bianchini muitos ainda
desconhecem o funcionamento do ensino de
nove anos. “Algumas pessoas ainda acham
que haverá mais um ano após a oitava
série, mas o fato é que as crianças
entrarão nas escolas mais cedo, com seis
anos”, afirma.
Para Tatiane a implantação do ensino de
nove anos pode ser um movimento
positivo, na medida em que, traz as
crianças mais cedo para escola,
principalmente para crianças que não
freqüentam a pré-escola. A nova lei
garante o direito de que as crianças
entrem mais cedo na escola, respeitando
a Constituição Federal de 1988, a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB 9.394/96), bem como o Estatuto dos
Direitos das Crianças e Adolescentes,
proporcionando estudo obrigatório.
“É um período de letramento para as
crianças. É importante que pais e
professores compreendam que a criança
não vai aprender a ler e escrever no
primeiro ano, é uma fase para que ela
tenha contato com a leitura, mas sem
necessariamente ler. Não existe um
padrão de alfabetização, a idade não diz
o desenvolvimento cognitivo, algumas
demoram mais que outras. Isto deve estar
bem claro para não frustrar tanto
alunos, como professores”, esclarece.
Ainda com relação às dúvidas geradas por
essa inovação no Ensino Fundamental
brasileiro, a pedagoga destaca que se
trata de um movimento de transição e que
consequentemente gera dúvidas e
incertezas. No entanto, destaca também,
que as escolas bem como os professores
responsáveis pelas turmas de seis anos
também estão se adaptando ao novo modelo
proposto sempre com vias a garantir
qualidade no processo de desenvolvimento
e aprendizagem dos estudantes.
sexta-feira, 13 de março de 2009
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