A SOCIEDADE DA IMAGEM
No próximo dia 19 é comemorado o dia da fotografia. A data foi escolhida, pois em 19 de agosto 1839, na Academia de Ciências da França o advento da fotografia foi anunciado ao mundo oficialmente, consagrando o Daguerreótipo.
Falar em fotografia nos dias atuais é simples, as fotos são parte inerente ao cotidiano da vida moderna. Com as tecnologias, parece até mesmo impossível viver sem essas lentes e o registro de momentos que não mais voltarão. Para os nascidos nas últimas décadas, pode ser inconcebível imaginar que o mais próximo que se podia chegar do registro de um acontecimento eram as telas pintadas à mão, que demoravam meses ou até anos para serem finalizadas.
O advento da câmera digital facilitou e popularizou o acesso à fotografia, hoje, é possível encontrar câmera digital até mesmo em celulares, qualquer um pode se tornar um fotógrafo. Esse avanço da tecnologia vem, finalmente, afirmar a “Sociedade da Imagem”, na qual vivemos.
Enquanto os álbuns de família e os porta-retratos vão se extinguindo, os sites de relacionamento e programas especializados ampliam o espaço para o “upload” de fotos e troca de imagens via internet ou via “bluetooth”. A saudosa cena de uma família reunida na sala de casa para ver as fotos de um casamento ou de uma festa foi substituída por um “link” - em que cada um acessa em seu computador ou celular -, ou por um DVD passado em forma de “slides” para um tv.
O fotógrafo Paulo Mello, um dos proprietários do Foto Santa Cruz, de Rio Claro, destaca que a fotografia está mais presente na vida das pessoas do que elas imaginam. “Se você olhar ao seu redor tudo já foi motivo para uma fotografia, se você olhar um azulejo, foi preciso fazer uma foto daquela peça para que ela fosse vendida”, comenta.
HISTÓRIA DE VIDA
Paulo Mello é uma das lendas da fotografia no município. Ele diz que o essencial é sempre acompanhar as tecnologias e estar sempre de olho no futuro. O fotógrafo, que sempre teve a fotografia como um hobby, trabalhou por anos como torneiro mecânico, em São Carlos. Em 1965 mudou-se para Rio Claro e daqui nunca mais saiu. “Recebi recentemente o título de cidadão rio-clarense; é uma honra para mim”, ressalta.
Proprietário da Foto Santa Cruz há 37 anos, Paulo se tornou fotógrafo em apenas 15 dias. “Com 15 dias trabalhando com fotografia eu já fiz um álbum de casamento”, relembra aos risos. Ao tornar a fotografia sua profissão, ele viajou por cinco anos, visitando diversos cantos do Brasil, fazendo fotos escolares. “Todo mundo deve se lembrar daquelas fotos que os alunos tiravam sentado numa mesa, com um mapa de fundo; fiz várias dessas”.
Ainda trabalhando com escolas, Paulo, por anos, viajou pelo Brasil tirando fotos para os populares monóculos (conhecidos também como “binoclinhos”). “Eu chegava a tirar mil em cada escola e depois ainda conversava para fazer as fotos de formatura”, ressalta.
Em 1972, abriu a loja Foto Santa Cruz ao lado do sócio Ovídio Zanelatto. Na época, a maior parte da receita vinha da revelação de filmes e da cobertura de casamentos, baile de debutantes e formaturas.
O COLORIDO
Na década de 80 surgiria a foto colorida. Muitos fotógrafos acabaram por desistir da profissão e diversas lojas fecharam as portas. “Muitos fotógrafos não acreditavam que a foto colorida ia pegar e continuaram insistindo na foto preto e branco; eu fiz todos os cursos de foto colorida que a Kodak promoveu em São Paulo. Você tem que estar ligado nas novas tecnologias, senão é passado pra trás”.
Da foto em cores para a câmera digital o processo foi rápido e poucas empresas e fotógrafos conseguiram sobreviver ao “boom” da tecnologia. “Quando a câmera digital surgiu a ideia era que as pessoas tirassem 300 fotos, dessas 300 escolhessem 30 e levassem para a impressão, mas isso não aconteceu; hoje ninguém imprime foto, o movimento caiu muito”.
Para driblar a queda do movimento e sobreviver à era digital, as lojas e fotógrafos estão apostando em trabalhos diferenciados, como álbuns de casamento em formato de revista, trabalhos minuciosos na recuperação de fotos antigas e retomando as fotos de estúdio, principalmente para crianças e jovens.
Z FOTOS
FOTO 004
Paulo Laércio de Mello, 45 anos no ramo da fotografia
FOTO 001
Acervo de Paulo Mello com mais de 50 máquinas fotográficas e 30 mil fotos
FOTO 007
Revelação de uma foto digital é feita na hora
Viajando nas imagens
Renato Reis Silva, de 26 anos, é natural de Belém do Pará, mas não tem lugar fixo para morar. Fotógrafo profissional há cinco anos, Renato vive viajando por todo país fotografando cenas do cotidiano. “Gosto de fotografar cultura e natureza, se juntar os dois, perfeito”, ressalta o fotógrafo que nunca fez cursos, aprendeu a lidar com a arte sozinho.
A paixão surgiu quando Renato comprou uma Câmera Digital em 2003. “A cada nova experiência com ela, eu ia me fascinando pelas luzes, cores e formas; a fotografia abre possibilidades infinitas, você descobre que pode olhar pra tudo da forma que quiser”. Em apenas um ano a fotografia se tornou a profissão de Renato, “descobri algo em que eu era bom, mas principalmente me dava prazer”.
Renato passou pelos quatro cantos no país como Amapá, Pará, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Chegou a Rio Claro em março de 2008, onde fez alguns registros que resultaram em uma exposição de fotos: “Mulheres de Atitude”. Já fotografou para revistas como Rolling Stone, Bizz, Outra Coisa e Trip.
Se é possível viver de foto no Brasil, Renato responde: “Acho que como em qualquer profissão; você tem que se inserir, ir nos lugares, mostrar trabalho, fazer um nome e os trabalhos começam a aparecer; às vezes por cima, às vezes por baixo, dá pra viver sim”.
Dentre as diferenças entre câmera digital e câmera de filme, o fotógrafo comenta que cada equipamento depende do uso. “Tem coisas que o filme faz que o digital não e vice-versa; acho que o que vale é fazer; é igual a escrita, não importa a caneta que você usa, o resultado será a sua letra”, finaliza.
Z FOTOS
Foto 008
Renato Reis viaja o país fotografando cenas do cotidiano
Foto 009
Por Renato Reis: Garoto brinca com a Água em São Caetano de Odivelas-PA

Nenhum comentário:
Postar um comentário