Vernate no maior Festival Universitário
A banda formada por meninas de Itirapina, Rio Claro e São Carlos é pré-selecionada para o Unifest Rock em Campinas
A Comissão Organizadora do II Unifest Rock, evento realizado pela Prefeitura Municipal de Campinas, divulgou na última segunda-feira (17) a lista das 36 bandas selecionadas e das 10 bandas suplentes, para se apresentar no maior festival de banda universitária do Brasil.
A lista é composta por bandas da Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, sendo a maioria do estado de São Paulo. O festival acontece de 10 a 13 de setembro em Campinas e traz do que há de mais novo no cenário do rock nacional, apresentando bandas promissoras de todo o país.
O objetivo do evento é promover o intercâmbio cultural entre bandas de todo Brasil, resgatar o clima vibrante dos festivais universitários e revelar novos talentos da música pop. O festival vai ainda distribuir um total de R$ 22 mil reais em prêmios para as bandas finalistas, que também participam da gravação de um CD.
Dentre as mais de 300 bandas inscritas, as meninas da Vernate foram uma das 10 bandas suplentes selecionadas. Para a baterista Mariana Segretto esta é uma prova do crescimento e amadurecimento da banda. “É mais uma conquista para o Vernate este ano, agora não tem mais como parar”, finaliza.
O Vernate se apresente, ainda, no próximo final de semana, dia 29, a partir das 14 horas, na antiga Estação Ferroviária de Rio Claro, ao lado de outras dez bandas, em comemoração ao dia da juventude. A entrada para o evento é franca.
Z FOTOS VERNATEBanda Vernate é uma das escolhidas para o Unifest Rock deste ano
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Folclore 22-08-09
Mistura de sons, ritmos, cores, história, tradição, povo...
Hoje (22) o Brasil comemora o Dia do Folclore; em Rio Claro, a data será lembrada com uma festividade no Jardim Público.
Muito além de saci-pererê ou curupira, o Folclore é o conjunto de tradições e culturas populares transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.
Para a educadora física e estudiosa do folclore, Emília Rosa Chimichaque, o Folclore é um tema muito rico para ser trabalhado apenas uma vez ao ano. “O folclore é interdisciplinar; é uma mistura do novo com a tradição”. Márcia Silvério, também estudiosa do assunto, ressalta que o Folclore é latente, está em desenvolvimento contínuo. “É a cultura popular que deve ser mostrada”, diz Márcia. Para a equipe do Néctar - Núcleo de Folclore & Cultura Popular de Rio Claro - conhecer e divulgar os costumes e tradições é uma forma de entendermos os conflitos e problemas sociais, de modo que possamos assim melhorar o convívio entre as diferenças e evoluir para um pensamento mais democrático e tolerante.
MANIFESTAÇÕESEm comemoração ao Dia do Folclore acontece hoje (22), a partir das 10 horas, no Jardim Público, o 14º Projeto Manifestações Folclóricas. O projeto, criado pelo Néctar tem como objetivo reunir grupos folclóricos e da cultura popular de Rio Claro, valorizando a identidade local e brasileira através de seus costumes e tradições.
Participam desta atividade: Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense; Banda de pífanos com grupo de músicos da Banda União dos Artistas Ferroviários; crianças do grupo de ritmos brasileiros com apresentação do Bumba-meu-Queixada e do Projeto Capaz (Capoeira Angola da Paz); Grupo Musical Balaio de Paiá; Grupo Parafolclórico de Dança Oroari; ainda, pirofagia e malabares.
NÉCTARO Núcleo de Folclore & Cultura Popular (Néctar) atua em Rio Claro e região desde 1996, realizando oficinas e vivências em danças dramáticas e ritmos brasileiros; investigação histórica e musical do folclore brasileiro; apresentações artísticas e organização de eventos populares.
Fundado por Márcia Silvério e Emília Rosa, o grupo surgiu inicialmente com a proposta de formar enredos para o Bumba-meu-Boi. Hoje, busca a institucionalização para ampliar suas ações e proporcionar mais oficinas para a população. “Queremos também uma sede própria, para poder realizar as oficinas e promover os ensaios do Bumba-meu-Boi”, conta Márcia. São 47 pessoas, entre 10 e 70 anos, que participam das atividades do Néctar, efetuando apresentações em diversas cidades do estado.
Do trabalho com o grupo, Márcia e Emília formaram a banda Balaio de Paiá, que executa músicas folclóricas com canto e percussão. “A música popular é orgânica, feita de coração; não é preciso um conhecimento específico”, frisa. O Balaio de Paiá, que existe há 11 anos, já chegou a ganhar um festival de música em Rio Claro e se apresenta em diversos bares da região.
Z FOTOS
NECTARNECTAR2O Néctar – Núcleo de Folclore & Cultura Popular – surgiu das oficinas de trabalho com o Bumba-meu-Boi
NECTAR3Márcia Silvério, uma das coordenadoras do Néctar e integrante do grupo Balaio de Paiá
Capoeira e Bumba-meu-queixada
Há três anos o trabalho com danças e brincadeiras folclóricas foi inserido nas atividades do Centro Municipal de Convivência Sol Nascente, no Cervezão, em Rio Claro. Emília Rosa Chimichaque, técnica em desenvolvimento social e educadora física, é quem comanda as aulas para as mais de 80 crianças entre seis e 13 anos, que frequentam o projeto.
Há dois anos a professora deu início ao trabalho com ritmos, intensificando a abordagem da capoeira. “As crianças tem uma identificação sonora muito grande com a capoeira”, ressalta. “O bom é que a capoeira é um esporte completo, que preenche todas as lacunas, você trabalha a dança, o ritmo, a música e o corpo”.
Hoje, os alunos já aprendem a ler partituras de berimbau e alguns já são encaminhados para outros projetos musicais, como o Projeto Guri ou Bandas Sinfônicas. Intitulado “Projeto Capaz” – Capoeira Angola da Paz, as atividades têm trazido muito retorno tanto para alunos e professores. “Esse foi o projeto que melhor se adequou entre os alunos; está funcionando muito bem”, ressalta Emília.
Segunda a professora, a capoeira é um esporte disciplinar, que possui fundamentos rígidos, o que auxilia muito na formação das crianças. “Estamos vivendo um período em que as crianças não têm mais limites, a capoeira ajuda muito nisso; é um movimento para desviar a violência”. CULTURAAlém do trabalho com a capoeira, os alunos conhecem mais da cultura popular através de conversas e discussões entre professores e colegas. “O Cervezão é um bairro que recebe pessoas de vários lugares, então a discussão é muito rica; cada aluno traz um pouco da experiência que tem em casa”.
Através deste trabalho, várias questões de cultura são abordadas com as crianças, assim, amenizando preconceitos e valorizando os costumes de diversos lugares. “O Folclore é a sabedoria do povo, tentamos resgatar isso com as crianças”, comenta Emília, que ressalta que cada vez mais os jovens estão distantes da família e esse trabalho faz com que eles se aproximem da história, valorizando os mais velhos.
O desenvolvimento do “Bumba-meu-queixada” - um remanescente do Bumba meu Boi – é um trabalho com o intuito de mostrar a questão trabalhista e abordar a necessidade do trabalho em grupo, em contraponto ao momento individualista que as crianças vivem. “É um bailado com personagens, percursivo, como um teatro de rua; esperamos que com esse trabalho seja possível melhorar a situação do mundo atual”, finaliza.
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CAPOEIRAProjeto Capaz – Capoeira Angola da Paz
CAPOEIRA2Alunos do Projeto Sol Nascente dançam o Bumba-meu-Queixada
CAPOEIRA3Emília Rosa Chimichaque é educadora física e efetuou diversos trabalhos sobre capoeira, inclusive em ONGs na Bahia
Congada e Tambú de São Benedito
Em Rio Claro, a tradição das Congadas e do Tambú é mantida através do Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense. O rei da congada, José Ariovaldo Pereira Bueno, conta que o grupo está buscando o registro e pretende ser institucionalizada em breve.
A tradição das danças de raiz africana no bairro São Benedito e Consolação é antiga. Ariovaldo conta que os escravos costumavam se reunir no pátio da igreja de São Benedito para dançar; depois, o ponto de encontro mudou para o bairro Consolação, então conhecido popularmente como “Buraco Quente”.
“A congada foi retomada em 64 pelo Barbosa, Abigail Simoneti e Neuza Barsotti; chegamos a fazer algumas apresentações, mas o grupo parou”, relembra Ariovaldo. Em 72, Olga Maurício faria renascer as danças, com ensaios na igreja de Santana e apresentações em cidades vizinhas.
Hoje, o grupo conta com 35 pessoas, entre 14 e 90 anos, que ensaiam no CONERC (Conselho Municipal da Comunidade Negra de Rio Claro) – anexo ao Espaço Livre da Avenida Visconde. “Estamos lutando para que essa história não morra; buscamos resgatar e trazer cada vez mais jovens pro grupo”, ressalta. O Grupo já viajou para outros estados representando o município em eventos populares.
Para quem desconhece as danças o rei da congada explica: “o Tambú é o mesmo que a Umbigada; ao contrário do que muita gente pensa, a Umbigada é uma dança de respeito, bate umbigo com umbigo; é uma dança de recordação do que os negros passaram, foi criada assim que surgiu a Lei do Ventre Livre; são usados instrumentos de percussão como chocalhos e sete léguas, um instrumento que de sete léguas você ouve o som dele”.
Já a Congada, também chamada de Congado ou Congo, é uma mescla de cultos católicos com africanos. É um bailado que representa a coroação do rei do Congo, acompanhado de um cortejo compassado, cavalgadas, levantamento de mastros e música. Os instrumentos musicais utilizados são a cuíca, a caixa, o pandeiro, o reco-reco. Há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc.
Para preservar a memória de um povo, Ariovaldo também participa da Missa Afro, realizada em outubro. “A Missa não tem piano, apenas percussão”, conta.
FOLCLORE POPULAR
Antes de se despedir da reportagem, Ariovaldo fez questão de deixar algumas crendices do folclore popular, no mínimo, curiosas:
- Nunca deixe uma visita tocar na fechadura quando estiver saindo de casa, senão ela não volta mais;
- Ao apontar algo, nunca use apenas um dedo, procure usar a mão espalmada. Ao apontar apenas um dedo, os demais ficam voltados para si, isso traz más energias.
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Congada1José Ariovaldo Pereira Bueno exibe com orgulho troféus e medalhas de participação em festivais de todo país
Congada2Em 1958, a Congada era realizada no bairro Consolação, conhecido como “Buraco Quente”
Congada3Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense
Danças e Ritmos BrasileirosO Projeto de Extensão do grupo de Danças e Ritmos Brasileiros do Departamento de Educação Física da Unesp, Campus de Rio Claro, orientado pela professora e doutora Carmem Maria Aguiar, teve suas atividades iniciadas em 1998 com a manifestação da Dança do Bumba-meu-boi. O Bumba-meu-boi, carro chefe do grupo, abriu caminhos para várias apresentações em outras regiões fora da cidade de Rio Claro, o que impulsionou o conhecimento de outras danças e outras atividades ao longo dos anos. A partir de 2007 o grupo que tinha como cartão de visitas o desenvolvimento de trabalhos com o Cacuriá abriu seus horizontes buscando o Samba de Roda, o Jongo, o Coco, o Caroço, o Batuque de Umbigada, a Ciranda e o Tambor de Criola. Hoje seus trabalhos de pesquisa das manifestações da cultura brasileira são mais acentuados e seu desenvolvimento no campus da Universidade muito mais visível. Além dos ensaios e oficinas realizados no campus da universidade, o projeto se estende para fora dos portões, sendo convidado a se apresentar em escolas no próprio município de Rio Claro, e em outras cidades, como Sorocaba, São Vicente, Araras, entre outras.Hoje, o grupo nomeado Oroari conta com quinze participantes, dentre alunos de diversos cursos da Unesp e pessoas de toda a comunidade. “Queremos levar este conhecimento às pessoas e também trazê-las para as oficinas”, esclarece uma das participantes do grupo Eleonora Salomão.
Z FOTOSOROARIOROARI2Grupo Oroari, faz parte do Projeto de Extensão em Danças e Ritmos Brasileiros, da Unesp Rio Claro
Pífanos
Hoje (22), um grupo de músicos da Banda União dos Artistas Ferroviários de Rio Claro se apresenta no 14º Manifestações Folclóricas, no Jardim Público. O grupo fará uma apresentação de pífanos, resgatando a memória e história deste instrumento pouco conhecido. O maestro da banda, Jorge Geraldo, contou ao REGIONAL um pouco da história dos pífanos:
O pífano é um instrumento encontrado em várias culturas ao redor do mundo. E uma tarefa muito difícil é tentar decifrar o caminho pelo qual ele foi disseminado. Um exemplo é a própria flauta, que é um parente bem próximo, e tem milhares de anos de idade. Os nordestinos contam que o pífano foi introduzido em sua cultura através dos indígenas, que podem tê-lo herdado das missões jesuítas no Brasil, que usavam o pífano para o culto a Virgem Maria.
A realidade é que o pífano é parte muito importante da música nordestina, sendo tocado em duplas juntamente com instrumentos de percussão – tarol, bumbo, surdo, zabumba. Os tocadores são em geral pessoas humildes que sobrevivem da terra. Essas pessoas tocam quase sempre por intuição – de ouvido – melodias e canções que são passadas de geração para geração.
As bandas de pífano espalharam-se pelo Brasil, e em cada região foram adquirindo características próprias, porém, o alavanque na divulgação dessa música foi sem sombra de dúvida a Banda de Pífanos de Caruaru fundada na década de 1920 pelo trabalhador rural Manoel Biano, que levou o som dos pífanos nordestinos para a mídia através de canções presentes na trilha sonora de filmes como Terra sem Deus na década de 70, lançamento de LP´s e CD´s, e shows públicos que realizam até hoje com os herdeiros do fundador da banda.
O pífano é um instrumento de sopro feito de madeira sendo que no nordeste utiliza-se mais comumente a taquara, e contêm sete orifícios, um para o sopro e os outros para os dedos. Os pífanos nordestinos têm entre 40 e 60 cm e possuem um som estridente e incisivo.
Hoje (22) o Brasil comemora o Dia do Folclore; em Rio Claro, a data será lembrada com uma festividade no Jardim Público.
Muito além de saci-pererê ou curupira, o Folclore é o conjunto de tradições e culturas populares transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.
Para a educadora física e estudiosa do folclore, Emília Rosa Chimichaque, o Folclore é um tema muito rico para ser trabalhado apenas uma vez ao ano. “O folclore é interdisciplinar; é uma mistura do novo com a tradição”. Márcia Silvério, também estudiosa do assunto, ressalta que o Folclore é latente, está em desenvolvimento contínuo. “É a cultura popular que deve ser mostrada”, diz Márcia. Para a equipe do Néctar - Núcleo de Folclore & Cultura Popular de Rio Claro - conhecer e divulgar os costumes e tradições é uma forma de entendermos os conflitos e problemas sociais, de modo que possamos assim melhorar o convívio entre as diferenças e evoluir para um pensamento mais democrático e tolerante.
MANIFESTAÇÕESEm comemoração ao Dia do Folclore acontece hoje (22), a partir das 10 horas, no Jardim Público, o 14º Projeto Manifestações Folclóricas. O projeto, criado pelo Néctar tem como objetivo reunir grupos folclóricos e da cultura popular de Rio Claro, valorizando a identidade local e brasileira através de seus costumes e tradições.
Participam desta atividade: Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense; Banda de pífanos com grupo de músicos da Banda União dos Artistas Ferroviários; crianças do grupo de ritmos brasileiros com apresentação do Bumba-meu-Queixada e do Projeto Capaz (Capoeira Angola da Paz); Grupo Musical Balaio de Paiá; Grupo Parafolclórico de Dança Oroari; ainda, pirofagia e malabares.
NÉCTARO Núcleo de Folclore & Cultura Popular (Néctar) atua em Rio Claro e região desde 1996, realizando oficinas e vivências em danças dramáticas e ritmos brasileiros; investigação histórica e musical do folclore brasileiro; apresentações artísticas e organização de eventos populares.
Fundado por Márcia Silvério e Emília Rosa, o grupo surgiu inicialmente com a proposta de formar enredos para o Bumba-meu-Boi. Hoje, busca a institucionalização para ampliar suas ações e proporcionar mais oficinas para a população. “Queremos também uma sede própria, para poder realizar as oficinas e promover os ensaios do Bumba-meu-Boi”, conta Márcia. São 47 pessoas, entre 10 e 70 anos, que participam das atividades do Néctar, efetuando apresentações em diversas cidades do estado.
Do trabalho com o grupo, Márcia e Emília formaram a banda Balaio de Paiá, que executa músicas folclóricas com canto e percussão. “A música popular é orgânica, feita de coração; não é preciso um conhecimento específico”, frisa. O Balaio de Paiá, que existe há 11 anos, já chegou a ganhar um festival de música em Rio Claro e se apresenta em diversos bares da região.
Z FOTOS
NECTARNECTAR2O Néctar – Núcleo de Folclore & Cultura Popular – surgiu das oficinas de trabalho com o Bumba-meu-Boi
NECTAR3Márcia Silvério, uma das coordenadoras do Néctar e integrante do grupo Balaio de Paiá
Capoeira e Bumba-meu-queixada
Há três anos o trabalho com danças e brincadeiras folclóricas foi inserido nas atividades do Centro Municipal de Convivência Sol Nascente, no Cervezão, em Rio Claro. Emília Rosa Chimichaque, técnica em desenvolvimento social e educadora física, é quem comanda as aulas para as mais de 80 crianças entre seis e 13 anos, que frequentam o projeto.
Há dois anos a professora deu início ao trabalho com ritmos, intensificando a abordagem da capoeira. “As crianças tem uma identificação sonora muito grande com a capoeira”, ressalta. “O bom é que a capoeira é um esporte completo, que preenche todas as lacunas, você trabalha a dança, o ritmo, a música e o corpo”.
Hoje, os alunos já aprendem a ler partituras de berimbau e alguns já são encaminhados para outros projetos musicais, como o Projeto Guri ou Bandas Sinfônicas. Intitulado “Projeto Capaz” – Capoeira Angola da Paz, as atividades têm trazido muito retorno tanto para alunos e professores. “Esse foi o projeto que melhor se adequou entre os alunos; está funcionando muito bem”, ressalta Emília.
Segunda a professora, a capoeira é um esporte disciplinar, que possui fundamentos rígidos, o que auxilia muito na formação das crianças. “Estamos vivendo um período em que as crianças não têm mais limites, a capoeira ajuda muito nisso; é um movimento para desviar a violência”. CULTURAAlém do trabalho com a capoeira, os alunos conhecem mais da cultura popular através de conversas e discussões entre professores e colegas. “O Cervezão é um bairro que recebe pessoas de vários lugares, então a discussão é muito rica; cada aluno traz um pouco da experiência que tem em casa”.
Através deste trabalho, várias questões de cultura são abordadas com as crianças, assim, amenizando preconceitos e valorizando os costumes de diversos lugares. “O Folclore é a sabedoria do povo, tentamos resgatar isso com as crianças”, comenta Emília, que ressalta que cada vez mais os jovens estão distantes da família e esse trabalho faz com que eles se aproximem da história, valorizando os mais velhos.
O desenvolvimento do “Bumba-meu-queixada” - um remanescente do Bumba meu Boi – é um trabalho com o intuito de mostrar a questão trabalhista e abordar a necessidade do trabalho em grupo, em contraponto ao momento individualista que as crianças vivem. “É um bailado com personagens, percursivo, como um teatro de rua; esperamos que com esse trabalho seja possível melhorar a situação do mundo atual”, finaliza.
Z FOTOS
CAPOEIRAProjeto Capaz – Capoeira Angola da Paz
CAPOEIRA2Alunos do Projeto Sol Nascente dançam o Bumba-meu-Queixada
CAPOEIRA3Emília Rosa Chimichaque é educadora física e efetuou diversos trabalhos sobre capoeira, inclusive em ONGs na Bahia
Congada e Tambú de São Benedito
Em Rio Claro, a tradição das Congadas e do Tambú é mantida através do Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense. O rei da congada, José Ariovaldo Pereira Bueno, conta que o grupo está buscando o registro e pretende ser institucionalizada em breve.
A tradição das danças de raiz africana no bairro São Benedito e Consolação é antiga. Ariovaldo conta que os escravos costumavam se reunir no pátio da igreja de São Benedito para dançar; depois, o ponto de encontro mudou para o bairro Consolação, então conhecido popularmente como “Buraco Quente”.
“A congada foi retomada em 64 pelo Barbosa, Abigail Simoneti e Neuza Barsotti; chegamos a fazer algumas apresentações, mas o grupo parou”, relembra Ariovaldo. Em 72, Olga Maurício faria renascer as danças, com ensaios na igreja de Santana e apresentações em cidades vizinhas.
Hoje, o grupo conta com 35 pessoas, entre 14 e 90 anos, que ensaiam no CONERC (Conselho Municipal da Comunidade Negra de Rio Claro) – anexo ao Espaço Livre da Avenida Visconde. “Estamos lutando para que essa história não morra; buscamos resgatar e trazer cada vez mais jovens pro grupo”, ressalta. O Grupo já viajou para outros estados representando o município em eventos populares.
Para quem desconhece as danças o rei da congada explica: “o Tambú é o mesmo que a Umbigada; ao contrário do que muita gente pensa, a Umbigada é uma dança de respeito, bate umbigo com umbigo; é uma dança de recordação do que os negros passaram, foi criada assim que surgiu a Lei do Ventre Livre; são usados instrumentos de percussão como chocalhos e sete léguas, um instrumento que de sete léguas você ouve o som dele”.
Já a Congada, também chamada de Congado ou Congo, é uma mescla de cultos católicos com africanos. É um bailado que representa a coroação do rei do Congo, acompanhado de um cortejo compassado, cavalgadas, levantamento de mastros e música. Os instrumentos musicais utilizados são a cuíca, a caixa, o pandeiro, o reco-reco. Há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc.
Para preservar a memória de um povo, Ariovaldo também participa da Missa Afro, realizada em outubro. “A Missa não tem piano, apenas percussão”, conta.
FOLCLORE POPULAR
Antes de se despedir da reportagem, Ariovaldo fez questão de deixar algumas crendices do folclore popular, no mínimo, curiosas:
- Nunca deixe uma visita tocar na fechadura quando estiver saindo de casa, senão ela não volta mais;
- Ao apontar algo, nunca use apenas um dedo, procure usar a mão espalmada. Ao apontar apenas um dedo, os demais ficam voltados para si, isso traz más energias.
Z FOTOS
Congada1José Ariovaldo Pereira Bueno exibe com orgulho troféus e medalhas de participação em festivais de todo país
Congada2Em 1958, a Congada era realizada no bairro Consolação, conhecido como “Buraco Quente”
Congada3Grupo Folclórico Congada e Tambú de São Benedito Rioclarense
Danças e Ritmos BrasileirosO Projeto de Extensão do grupo de Danças e Ritmos Brasileiros do Departamento de Educação Física da Unesp, Campus de Rio Claro, orientado pela professora e doutora Carmem Maria Aguiar, teve suas atividades iniciadas em 1998 com a manifestação da Dança do Bumba-meu-boi. O Bumba-meu-boi, carro chefe do grupo, abriu caminhos para várias apresentações em outras regiões fora da cidade de Rio Claro, o que impulsionou o conhecimento de outras danças e outras atividades ao longo dos anos. A partir de 2007 o grupo que tinha como cartão de visitas o desenvolvimento de trabalhos com o Cacuriá abriu seus horizontes buscando o Samba de Roda, o Jongo, o Coco, o Caroço, o Batuque de Umbigada, a Ciranda e o Tambor de Criola. Hoje seus trabalhos de pesquisa das manifestações da cultura brasileira são mais acentuados e seu desenvolvimento no campus da Universidade muito mais visível. Além dos ensaios e oficinas realizados no campus da universidade, o projeto se estende para fora dos portões, sendo convidado a se apresentar em escolas no próprio município de Rio Claro, e em outras cidades, como Sorocaba, São Vicente, Araras, entre outras.Hoje, o grupo nomeado Oroari conta com quinze participantes, dentre alunos de diversos cursos da Unesp e pessoas de toda a comunidade. “Queremos levar este conhecimento às pessoas e também trazê-las para as oficinas”, esclarece uma das participantes do grupo Eleonora Salomão.
Z FOTOSOROARIOROARI2Grupo Oroari, faz parte do Projeto de Extensão em Danças e Ritmos Brasileiros, da Unesp Rio Claro
Pífanos
Hoje (22), um grupo de músicos da Banda União dos Artistas Ferroviários de Rio Claro se apresenta no 14º Manifestações Folclóricas, no Jardim Público. O grupo fará uma apresentação de pífanos, resgatando a memória e história deste instrumento pouco conhecido. O maestro da banda, Jorge Geraldo, contou ao REGIONAL um pouco da história dos pífanos:
O pífano é um instrumento encontrado em várias culturas ao redor do mundo. E uma tarefa muito difícil é tentar decifrar o caminho pelo qual ele foi disseminado. Um exemplo é a própria flauta, que é um parente bem próximo, e tem milhares de anos de idade. Os nordestinos contam que o pífano foi introduzido em sua cultura através dos indígenas, que podem tê-lo herdado das missões jesuítas no Brasil, que usavam o pífano para o culto a Virgem Maria.
A realidade é que o pífano é parte muito importante da música nordestina, sendo tocado em duplas juntamente com instrumentos de percussão – tarol, bumbo, surdo, zabumba. Os tocadores são em geral pessoas humildes que sobrevivem da terra. Essas pessoas tocam quase sempre por intuição – de ouvido – melodias e canções que são passadas de geração para geração.
As bandas de pífano espalharam-se pelo Brasil, e em cada região foram adquirindo características próprias, porém, o alavanque na divulgação dessa música foi sem sombra de dúvida a Banda de Pífanos de Caruaru fundada na década de 1920 pelo trabalhador rural Manoel Biano, que levou o som dos pífanos nordestinos para a mídia através de canções presentes na trilha sonora de filmes como Terra sem Deus na década de 70, lançamento de LP´s e CD´s, e shows públicos que realizam até hoje com os herdeiros do fundador da banda.
O pífano é um instrumento de sopro feito de madeira sendo que no nordeste utiliza-se mais comumente a taquara, e contêm sete orifícios, um para o sopro e os outros para os dedos. Os pífanos nordestinos têm entre 40 e 60 cm e possuem um som estridente e incisivo.
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