terça-feira, 28 de outubro de 2008

Rua 1

A segunda casa do coral municipal
Fundado em 1995 por Daniel Pedroso, o Coral Municipal “O Mensageiro” conta com 32 coralistas e coleciona prêmios por todo Estado.
É na casa de Daniel Pedroso e Graziele Tinós, localizada na Rua 1 com a Avenida 30, que o Coral Municipal faz alguns ensaios extra. A reunião dos coralistas acontece todas as quartas e sábados, no Casarão da Cultura, mas algumas aulas particulares acontecem ali, na casa dos regentes. “Como estamos trabalhando óperas, eu dou aulas particulares aqui em casa para o pessoal do coral, os solos tem que estar bem preparados”, comenta Daniel, que rege corais desde os 15 anos de idade. Grá e Daniel se conheceram no próprio Coral e hoje são parceiros em todas as empreitadas. Afinal, o trabalho para manter as 32 vozes funcionando harmonicamente não é nada fácil. “São 32 coralistas, mas ainda estamos precisando de mais gente. As óperas exigem muito. Estamos procurando interessados em participar do coral”, diz Grá. O coral municipal surgiu por iniciativa de Daniel, que por muito tempo trabalho com corais em igreja. Com a intenção de preparar um coral desvinculado e independente, deu início ao Coral Municipal. De 1995 para cá, foram muitas as vitórias colecionadas. Em 2002 o Coral foi selecionado pelo Mapa Cultural Paulista como o mais afinado, as mais belas vozes e os melhores solistas do Estado. “Desde que começamos a intenção era trabalhar com óperas. Depois de um longo período só que conseguimos”, diz o maestro. Foi em 2005 que surgiu a primeira oportunidade do coral estrelar uma ópera, em parceria com a Cia. de Ópera de São Paulo e a Orquestra Philarmônica de Rio Claro. Foram executadas quatro óperas através desta parceria e para o ano que vem a “Flauta Mágica” de Mozart deve ser apresentada em abril. Recentemente, o Coral produziu uma ópera independente, “Dido & Aeneas”, executada em junho deste ano. “Toda a produção foi feita pelo próprio coral. Com um pianista e solos. Foi uma realização muito grande para todos nós. Queremos agora levá-la para outras cidades. Já apresentamos em Santa Rita do Passa Quatro”, conta Grá. Para Daniel, a felicidade e a realização em se apresentar uma ópera são incomparáveis: “nos sentimos outra pessoa no palco”. Mas não é só de óperas que vive “O Mensageiro”, também músicas populares brasileiras, música africana, negro spiritual, música sacra e música antiga. “Temos repertório para qualquer ocasião. É só reunir o pessoal e ensaiar um pouco, estamos prontos”, brinca Daniel. A agenda do coral está sempre lotada, as próximas apresentações acontecem dia 26/10 no Casarão da Cultura, com músicas brasileiras; no dia 07/11 na Santa Casa e dia 21/11 no Sesi, com apresentação da Missa de Shubert (música sacra). DANIEL Daniel Pedroso é filho de mãe e pai coralistas. Começou sua carreira na música como trompetista, depois, início aulas de canto com Dalva Sanchez de Oliveira. Dirigiu seu primeiro coral aos 15 anos, em uma igreja. Fez cursos de especialização em regência e canto lírico em Tatuí. De 1968 a 1997 fez parte de um quarteto que se apresentava em igrejas. Hoje, rege o Coral Municipal e a banda da Guarda Mirim.
GRÁ Graziele Tinós começou no coral em 2000, antes disto não cantava, apenas estudava e trabalhava com a mãe em um salão de cabeleireiro. Soube da existência do coral por um anúncio no jornal e descobriu sua verdadeira paixão. Cursou regência e canto lírico em Tatuí, faz aulas na escola Ernest Mahl em Piracicaba e é regente do coral Encanto Jovem da Guarda Mirim, há cinco anos.
**BOX***
Ópera executadas pelo Coral Municipal em parceria com a Cia. de Ópera de São Paulo e Orquestra Philarmônica:
2005 – “O Barbeiro de Sevilha” de Rossini2006 – “Carmen” de Bizet2007 – “Elixir do Amor” de Donizetti2008 – “La Traviata” de Verdi
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Rua1_coral2Maestro Daniel Pedroso e Graziele Tinós, dedicação extra ao coral municipal

Escola faz trabalho social
A Escola de Cabeleireiro “Maria” existe há aproximadamente 30 anos. Fundada por Maria Basílio, uma das pioneiras na arte em Rio Claro, a escola já formou inúmeras turmas e mantém a tradição. Após o falecimento de Maria, há sete anos, a escola passou a ser administrada pela filha Aparecida Maria de Oliveira, que se formou pelo Sindescab (Sindicato dos Centros de Formação Profissional de Cabeleireiros e Similares) de São Paulo, mesmo órgão responsável pela emissão dos diplomas para o curso realizado na Escola Maria. A escola, que então era tradicional na Vila Alemã, mudou-se para a Rua 1 há apenas um mês. “Optamos por nos mudar para facilitar o transporte para os alunos. Temos muitos alunos de fora, de cidades da região. Estar no centro facilita muito”, comenta a filha Maria. Ainda se adaptando ao novo local, promovendo algumas reformas, as aulas não param, acontecem todas as terças e quartas-feiras das 14 às 17 horas, e das 19 às 21 horas. “Há pouco tempo que começamos as aulas à noite, a procura era muito grande”, acrescenta. As três professoras da escola ensinam as manhas para o corte de cabelo, os penteados para festas, manicure, depilação e estética. Durante as aulas os alunos também trabalham a parte social, os cortes feitos no próprio salão custam R$1 para adultos, crianças até 12 anos não pagam. “Temos o costume também de visitar bairros da periferia para cortar cabelo de graça. É uma forma de ajudar quem precisa e treinar os alunos”, alega Maria. “Em São Paulo as escolas são muito procuradas para o corte de cabelo. Aqui em Rio Claro não há esse costume”.
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Rua1_salaAulas de cabeleireiro, manicure, depilação, estética são tradicionais na cidade
Rua1_salao2 Aparecida Maria de Oliveira segue os passos da mãe, mais de 30 anos no ramo

O antigo Tabajara
O Cine Tabajara faz parte da memória do município. Inaugurado no final de 1950, o Tabajara é um dos símbolos de uma época em que a grande tela despertava sonhos e carregava admiração.
O Tabajara foi o sétimo cinema do município, construído pela família Padula, com tradição no ramo. Nico Padula, pai de cinco filhos, era um alfaiate quando decidiu abrir seu primeiro cinema, o Cine Excelsior, em 38. A família chegou a ter 27 salas de cinema em toda região. Em Rio Claro, o Cine Excelsior, o Cine Teatro Variedades e o próprio Tabajara. Com a entrada dos anos 90, os cinemas foram acabando. O Tabajara foi fechado em 1992 e o Excelsior foi o último a ser fechado, em 1997. “A resposta para os cinemas terem fechado é apenas uma: televisão. O público foi acabando porque ver na TV é muito fácil. E hoje você não vê mais cinemas, você vê em shopping só. E são espaços pequenos e ainda assim vazios”, comenta Marco Antônio Padula, filho mais velho de Nico Padula. Marco, engenheiro, foi o responsável pela construção e reforma de todos os cinemas da família. A obra inteira do Tabajara foi elaborada por ele. “Comecei a desenhar o Tabajara em 1948, tentei fazer algo moderno que continuasse atual por muitos anos”, acrescenta. O cinema levou dois anos para ficar pronto. O Tabajara tinha lugar para mil pessoas, sentadas, com uma tela de 15 por seis metros. A projeção funcionava primeiramente com arco voltaico de carvão, depois passou para gerador. O início os filmes eram em preto e branco, passando o colorido O público do cinema era fiel, em dias da semana mais da metade do salão estava cheia, e às quintas, sábados e domingo completamente lotado. Pode parecer estranho o cinema estar cheio de quinta-feira, mas Marco explica, “havia a sessão das moças, com exibição de filmes românticos e mais apropriados para moças. E aí, não sei porquê os moços também iam atrás”, brinca. Domingo de manhã era dia de matinê para as crianças e na quarta-feira sessão cultural para escolas. Marco conta que o filme mais assistido no Tabajara foi o “E o Vento Levou” com Clark Gable e Vivien Leigh. VILA APARECIDA No início a idéia para o nome do cinema que seria implantado era Cine Aparecida. Na época, um jornal promoveu uma enquete com a população, pedindo sugestões para o nome. Tabajara foi uma delas, e então, escolhida pela família. Tabajara é o nome de um índio. Na época em que o cinema foi construído, a Vila Aparecida, que hoje é região central da cidade, era apagada, com poucos moradores. O Tabajara foi o ponto de início de desenvolvimento do bairro. “O cinema trouxe a população de toda a cidade para o bairro, teve um ganho social muito grande”, diz Marco. Além da sala de cinema, o Tabajara tinha um ambiente de 600 metros quadrados para aglutinação social, com lanchonete, sorveteria, bar, café. “Era um ponto de encontro para a sociedade local”.
HOJE EM DIA Atualmente, o prédio do cinema abriga uma loja de utilitários. Marco disse que por anos a família teve a esperança de o local ser encampado pela prefeitura e se tornar um teatro, mas a deterioração do prédio fez com que a família tomasse uma decisão. “O cinema era algo atual, moderno, que atendia à população. Hoje, a função é a mesma, é uma loja moderna que traz algum benefício à cidade. É melhor do que estar parado sem utilidade”, finaliza.
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Rua1_tabajaraO imponente prédio do Cine Tabajara fundado em 1950
Rua1_tabajara2O cinema foi o responsável pelo desenvolvimento do bairro Vila Aparecida
Rua1_tabajara6Hoje, o prédio abriga uma loja de utilitários
Rua1_tabajara3Projeto do prédio feito à mão por Marco Antonio Padula, em 1948
Rua1_tabajara5Marco Antonio Padula mostra o projeto do Tabajara

FOTO LEGENDAS
Rua1_lagoLago Azul, não é mais tão azul. O lago que poderia, calmamente, assumir o nome de Lago Verde, coleciona sujeira, lixo e lodo. A prefeitura foi procurada para informar ao JORNAL REGIONAL se há providências a serem tomadas quanto à qualidade da água, mas não obteve resposta. Em entrevista recente com o secretário de cultura, Paulo Osório, ele informou que a prioridade é o teatro do Centro Cultural.
Rua1_lago2Plataforma próxima ao parque infantil está fechada, enquanto as madeiras apodrecem.
Rua1_lago3Brinquedos do parque infantil estão quebrados e sem manutenção
Rua1_lago4Não se vê mais os animais
Rua1_lago5Pedalinhos que faziam a alegria das crianças, já não existem



Parque Municipal Lago Azul: como fica?
Em setembro de 2007, defendi minha dissertação de mestrado intitulada: O Papel das lâminas d’água no espaço urbano: atração ou repulsão. O caso do Lago Azul de Rio Claro, SP. Um tema pertinente sobre a importância das águas em lugares urbanos, tendo o Lago Azul de Rio Claro como um exemplo típico de lâmina d’água utilizada como espaço recreativo em cidade brasileira. Ao receber o título de Mestre em Geografia na área de organização espacial – percepção ambiental – sentia que ainda tinha muito que percorrer. A pesquisa ainda não havia sido concluída. Diante de todo o levantamento de informações e bases conceituais, faltava concretizar os anseios e expectativas da população para as melhorias do lugar. Então, esta nova etapa significava o enfrentamento das políticas públicas: a pesquisa deveria ser entregue e quiçá efetivada pelo poder público local. A pesquisa foi levada à Secretaria da Cultura, que se tornara responsável não somente pelo Centro Cultural, mas pelo Parque Municipal como um todo, incorporando, inclusive, o Centro Cultural, percepção esta que ainda muitos cidadãos não vivenciam. Havia, então, um plano de revitalização para todo o parque, que, por meio de vários profissionais, se concretizaria esta nova fase do lugar. Foi desenvolvido um belo projeto para a revitalização do Parque Municipal, incluindo condições específicas da estrutura física e geológica do local, envolvendo o Córrego da Servidão, cujas nascentes estão no próprio lago. No entanto, a situação ficou esparsa, as informações, as reuniões, e nada foi feito.Meses se passaram e tenho a sensação, a percepção e o sentimento de que tudo se perdeu, ou sendo um pouco otimista, que nada foi feito, mas nem tudo está perdido, que ainda se pode fazer alguma coisa. Hoje continuo a perceber e avaliar que este espaço público de lazer continua o mesmo: sem inovações, sem propostas concretizadas, nada de novo. Assim como eu, outros muitos usuários gostariam de ver no parque municipal mais segurança e iluminação, inclusive à noite, para as caminhadas. Isso, para começar. Muitas coisas podem ser realizadas no Parque Municipal, que demanda administração e mão-de-obra efetivas e competentes. A verba para revitalizar o lugar é de suma importância, mas muitas ações podem ser feitas apenas com uma boa administração e “mão na massa”, fazendo acontecer.Medidas simples e satisfatórias podem ser elencadas, como a retirada das cercas de arame para que o local seja incorporado ao espaço urbano e os cidadãos sintam-se mais à vontade, com segurança e iluminação vinte e quatro horas; um calçadão decente, extenso e largo, interno e externo, para caminhadas; despoluição das águas e sistema receptor de esgoto desviado do lago; bancos e mesas para descanso e piqueniques; cursos para os jovens (torneios, gincanas etc) e também para a terceira idade, aproveitando as áreas verdes e todo o espaço; parque infantil, campo de bocha e campos esportivos com manutenção constante para conservação de seus equipamentos; banheiros limpos e bebedouros; eventos, como festas de Páscoa, Natal, entre outras, lanchonete com música ao vivo nos finais de semana. Enfim, um lugar agradável e atrativo a toda população, independente de classe social.Como cidadã rio-clarense, geógrafa e membro da Ong socioambiental MiraTerra – OMT, faço um pedido à próxima administração municipal, em nome de toda a população de usuários e futuros usuários do Parque Municipal Lago Azul: a revitalização e conservação do parque como um todo, nas áreas construídas e não construídas; que esta bela paisagem rio-clarense um dia possa voltar a ser verdadeiramente o cartão postal da cidade.
A tomada de decisões políticas pode mudar este lugar para melhor. Deve-se começar a se fazer algo, pois, que ainda hoje continua repulsivo em muitos aspectos. Cabe, agora, ao poder público local, atual ou novo, administrar e efetivar mudanças significativas a este lugar, visando a qualidade de vida e ambiental, agora e aos nossos futuros cidadãos.
Luciana Rossi MoitaProfessora e Mestre em Geografia, membro da Ong MiraTerraContato: lu_m21@hotmail.com

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